Hamadi Jebali renuncia como premiê da Tunísia

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Ele já havia dito que deixaria o cargo caso sua proposta de formar gabinete tecnocrata fracassasse; crise política foi agravada com assassinato de opositor no início do mês

O premiê da Tunísia, Hamadi Jebali, renunciou ao cargo por ter fracassado em chegar a um acordo para formar um novo governo tecnocrata. Jebali tentou formar uma coalizão em resposta à crise que se espalhou no país após o assassinato do líder opositor Chokri Belaid.

Ennahda: Partido de premiê da Tunísia rejeita dissolver gabinete

AP
Premiê da Tunísia, Hamadi Jebali (dir), aparece ao lado do líder do Ennahda, Rached El Ghannouchi, durante encontro parlamentar (18/2/2013)


Proposta: Após morte de opositor, premiê anuncia formação de governo tecnocrata

Ele já havia dito que deixaria o cargo caso o partido islâmico Ennahda não apoiasse seu plano de formar um gabinete tecnocrata. 

O assassinato de Belaid em 6 de fevereiro provocou protestos em massa e greves, além de demissões do governo de coalizão que governa a Tunísia.

"Eu havia dito que se minha iniciativa não fosse bem sucedida, eu renunciaria e fiz isso", disse Jebali em coletiva, após encontro com o presidente Moncef Marzouki. Classificando sua atitude como "uma grande frustração", ele afirmou que estava deixando seu cargo "para cumprir uma promessa feita ao povo".

"Nosso povo está desiludido com a classe política. Precisamos restaurar essa confiança", disse. "O fracasso da minha iniciativa não significa o fracasso da Tunísia ou o fracasso da revolução", disse, em referência à revolta popular há dois anos que derrubou o líder autocrata Zine al-Abdine Ben Ali

Belaid era um crítico da liderança da Tunísia e acusava autoridades de não fazer o suficiente para impedir a violência cometida por ultraconservadores, que têm como alvos teatros e exibições de arte consideradas desrespeitosas ao Islã.

De acordo com sua família, Belaid recebia ameaças de morte regularmente e era uma espécie de porta-voz contra os chamados "Comitês de Proteção da Revolução", que muitos acusam de estar por trás de atos de violência que atingem o país. Há suspeitas de que esses grupos sejam afiliados do partido Ennahda e que sua missão é procurar e destruir vestígios do antigo regime.

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