Um dia depois do funeral do líder da oposição que foi assassinado, partidários do Ennahda querem mostrar apoio nas ruas à Assembleia Constituinte em crise

Partidários dos islâmicos que comandam a Tunísia convocaram neste sábado (9) uma manifestação em massa em favor do governo um dia depois do funeral de um líder da oposição que foi assassinado na porta da sua casa , crime que provocou protestos e agravou a crise política no país árabe.

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Tunisiana caminha por carros que foram  queimados durante confrontos entre manifestantes e policiais em Túnis (8/2)
AP
Tunisiana caminha por carros que foram queimados durante confrontos entre manifestantes e policiais em Túnis (8/2)


Chokri Belaid: Assassinato de dirigente da oposição na Tunísia provoca protestos

O partido Ennahda convocou seus seguidores a comparecer no centro de Túnis na tarde deste sábado para mostrar apoio à assembleia que trabalha na elaboração de uma nova constituição e que sofreu grande revés com a retirada dos partidos de esquerda após o assassinato de Chokri Belaid, um ferrenho crítico dos islâmicos no governo.

Belaid foi morto na porta de sua casa, enquanto saía em direção ao seu trabalho. O responsável pelos disparos fugiu de moto. Manifestantes opositores aos islâmicos acusam o governo de ser responsável pelo assassinato de Belaid, o que o Ennahda nega.

O partido disse que a manifestação deste sábado também protestaria contra a "interferência francesa" no país, devido aos comentários feitos pelo chanceler Manuel Valls, que denunciou o crime contra Belaid como um ataque "aos valores da revolução da Tunísia".

A avenida Bourguiba, a mais importante de Túnis, estava movimentada na manhã deste sábado, com a reabertura de cafeterias e lojas depois da greve geral realizada na sexta-feira.

Os confrontos e protestos realizados na sexta colaboraram para uma crescente insatisfação na Tunísia, onde a transição do período ditatorial para a democracia vem enfrentando divisões religiosas, políticas e dificuldades econômicas. A Tunísia foi o primeiro país a se revoltar e derrubar um governo autoritário no contexto da Primavera Árabe , em 2011.

Diante da crise desencadeada com a morte de Belaid, o primeiro-ministro disse que dissolveria o governo atual e formaria um governo tecnocrata para conduzir o país até as eleições, mas o Ennahda, seu próprio partido, rejeitou a ideia logo em seguida.Na sexta-feira, Jebali renovou sua proposta por um novo governo, o que representaria uma concessão de peso para a oposição do país. "Eu estou convencido de que essa é a melhor solução para a atual situação na Tunísia", disse, oferecendo sua renúncia caso a assembleia não aceite sua proposta de gabinete.

Embora Jebali se mostre confiante de que conseguirá o apoio do Ennahda, a rejeição por parte de seu partido expõe as divisões entre os mais moderados e mais conservadores, e não deixa claro como o premiê pretende ter esse apoio.

Os tunisianos derrubaram o governo de Zine El Abidine Ben Ali em janeiro de 2011, dando início à Primavera Árabe. Dois anos depois, o partido moderado islâmico, Ennahda, venceu as eleições e tem governado em uma coalizão com partidos seculares.

Veja imagens da crise na Tunísia:

Com AP

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