Partido de premiê da Tunísia rejeita dissolver gabinete

Por iG São Paulo |

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Morte de opositor agrava crise política no país árabe, atingido por revolta há dois anos; uma greve geral teve início e nos protestos de ontem, um policial foi morto em confrontos

O partido islâmico que domina a coalizão que governa a Tunísia rejeitou a iniciativa de seu próprio primeiro-ministro de dissolver o gabinete e formar um governo de tecnocratas depois do assassinato de um influente político de oposição, o que motivou manifestações populares no país desde a revolta de 2011.

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AP
Tunisianos acompanham a ambulância que leva o corpo do líder opositor Chokri Belaid, de sua casa para a casa de seu pai em Túnis


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O premiê Hamadi Jebali anunciou na noite de quarta-feira que ele dissolveria o governo e formaria um novo, provisório, para conduzir o país até o dia das eleições, que serão convocadas asssim que possível - uma exigência feita pela oposição desde há muito tempo.

Entretanto, os dirigentes do Ennahda acusaram Jebali de tomar uma decisão unilateral, sem consultar o partido, o que indica que o grupo islâmico está profundamente dividido em relação á dissolvição do gabinete. "O premiê não pediu a opinião do seu partido", disse Adelhamid Jelassi, vice-presidente do Ennahda.

"Nós do Ennahda acreditamos que a Tunísia precisa de um governo político agora. Vamos continuar as discussões com outros partidos sobre a formação de uma coalizão de governo."

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AP
Tunisianos observam flores depositadas em frente à casa onde Chokri Belaid morava e foi assassinado em Túnis

Os principais partidos de oposição também rejeitaram a nomeação de um gabinete de tecnocratas, e exigiu que sejam consultados antes da formação de um novo governo.

Também nesta quinta-feira, advogados e juízes da Tunísia deram início a dois dias de greve em resposta ao assassinato, segundo informou a rede britânica BBC.

Jebali anunciou a dissolução do governo na noite de quarta-feira, horas depois que o político oposicionista laico Chokri Belaid ser assassinado na frente de sua casa, em Túnis. O responsável pelos disparos fugiu na carona de uma motocicleta.

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Em reação ao crime, uma multidão ateou fogo à sede do Ennahda, que formou a maior bancada nas eleições legislativas de 16 meses atrás, as primeiras do país após a revolta que derrubou o ditador Zine al Abidine Ben Ali.

Os protestos reuniram centenas em frente ao Ministério do Interior, em Túnis, e nas ruas de outras cidades do país. Eles gritavam palavras de ordem contra o governo e pediam uma nova revolução. No centro de Túnis, um policial foi morto durante os confrontos entre os agentes e os partidários da oposição.

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Belaid era um advogado de esquerda que tinha relativamente poucos seguidores políticos, mas que falava por muitos que temiam restrições de radicais religiosos às liberdades conquistadas na rebelião que deu início à Primavera Árabe, há dois anos.

Jebali deve continuar interinamente no seu cargo, algo que desagradou grupos de oposição. "Todo o governo, inclusive o primeiro-ministro, deveria renunciar", disse Beji Caid Essebsi, ex-premiê que dirige o partido laico Nida Touns.

Com AP, BBC e Reuters

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