Após ataque israelense, Assad acusa Israel de tentar desestabilizar Síria

Por iG São Paulo |

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Segundo mídia estatal, líder sírio diz que Damasco é capaz de confrontar 'ameaças atuais e agressões' após informações de que Israel atacou comboio com armas para o Hezbollah

O presidente sírio, Bashar al-Assad, acusou Israel neste domingo de tentar desestabilizar a Síria ao supostamente atacar uma base militar de pesquisa perto de Damasco na semana passada e disse que a Síria é capaz de confrontar "ameaças atuais e agressões", informou a imprensa estatal.

Fontes: Ataque aéreo de Israel atinge comboio de caminhões na Síria

AP
Presidente sírio, Bashar al-Assad (D), reúne-se com o principal negociador nuclear do Irã, Saeed Jalili, em Damasco

'Dois mortos': Síria diz que Israel atacou centro de pesquisa militar

Diplomatas, rebeldes sírios e fontes de segurança afirmam que jatos israelenses bombardearam um comboio perto da fronteira com o Líbano na quarta-feira, aparentemente atingindo armas destinadas ao Hezbollah. A Síria disse que o alvo era um centro de investigação militar a noroeste de Damasco.

Assad fez os comentários durante uma reunião com Saeed Jalili, secretário do conselho nacional de segurança do Irã, na capital síria. Na quinta, a Síria apresentou formalmente uma queixa na ONU pelo ataque aéreo e ameaçou retaliar contra a ação militar.

Oficiais regionais disseram que Israel planejava havia dias o ataque para atingir um carregamento de armas direcionadas ao Hezbollah. Eles disseram que o carregamento incluiria sofisticados mísseis antiaéreos SA-17, de fabricação russa, que poderiam fortalecer estrategicamente o Hezbollah, que já se comprometeu com a destruição de Israel e travou uma guerra contra o Estado judeu no passado.

Reação: Síria apresenta queixa à ONU e ameaça retaliar ataque de Israel

Segundo a Sana, agência estatal de notícias, Jalili reafirmou "total apoio de Teerã à população da Síria em face de uma agressão sionista e sua contínua coordenação para enfrentar as conspirações e projetos estrangeiros".

Saiba mais: Entenda o que está por trás do 'ataque' de Israel à Síria

O presidente da Síria, aliado árabe mais próximo do xiita Irã, está enfrentando um levante que já dura 22 meses e deixou mais 60 mil mortos. Segundo Assad, os rebeldes são terroristas islâmicos financiados e armados pela Turquia e por Estados muçulmanos sunitas do Golfo Árabe.

O vizinho Israel afirma que pode ter de intervir para evitar que as armas sírias, químicas ou avançadas, caiam nas mãos de grupos militantes, inclusive o libanês Hezbollah, que lutou uma guerra de 34 dias com Israel em 2006.

Advertência: Israel ameaça atacar se Síria perder controle de armas químicas

Poucas chances de escalada

Analistas israelenses acreditam que o bombardeio não desencadeará uma escalada de violência na fronteira norte de Israel, levando a um conflito aberto envolvendo as forças israelenses, sírias e do Hezbollah. Para o analista do canal 1 da TV israelense Oded Granot, a Síria e Hezbollah estão enfraquecidos atualmente e não têm interesse em realizar uma represália ou em confronto aberto com Israel.

Por outro lado, a tradicional "política de ambiguidade" adotada por Israel, que explicaria o fato de o país não admitir o ataque, "possibilita que a Síria e o Hezbollah não reajam, evitando assim uma guerra aberta", afirmou Granot. "Se Israel admitisse o ataque, isso os obrigaria a reagir."

Aliado: Rússia expressa preocupações por informações de ataque de Israel na Síria

Segundo Ron Ben Ishai, analista militar do portal de noticias Ynet, o governo sírio está "mentindo" ao afirmar que o alvo do bombardeio teria sido uma centro de pesquisas. De acordo com Ben Ishai, a Síria teria interesse em encobrir o fato de que, em vista da desintegração do Estado em consequência da guerra civil, estaria transferindo seu arsenal para o Hezbollah.

O analista relata que os mísseis do tipo SA-17, que teriam sido o principal alvo do ataque, são especialmente avançados, com capacidade de derrubar aviões da Força Aérea israelense. O armamento foi fornecidos pela Rússia ao governo sírio com a condição de que não seriam desviados para terceiros, incluindo o Hezbollah.

Ao admitir um ataque a um comboio com esse tipo de mísseis, a Síria confirmaria uma violação do acordo com a Rússia.

*Com AP, BBC e Reuters

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