Manifestantes e polícia entram em choque perto de palácio presidencial do Egito

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Forças de segurança usaram gás lacrimogêneo e canhões de água contra manifestantes no oitavo dia de uma nova onda de violência que deixou quase 60 mortos no país

Milhares de manifestantes contrários ao presidente islamita do Egito marcharam para seu palácio no Cairo nesta sexta-feira, entrando em confronto com forças de segurança que usaram gás lacrimogêneo e canhões de água no oitava dia de uma nova onda de violência no país. No protesto no Cairo houve pelo menos uma morte e dezenas ficaram feridos.

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AP
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Protestos foram realizados em várias cidades do país depois de uma convocação por oponentes do presidente Mohammed Morsi. Mas algumas divisões apareceram entre os grupos opositores à medida que alguns criticaram duramente seus líderes políticos por manter sua primeira reunião com a rival Irmandade Muçulmana, de Morsi, no dia anterior.

Os protestos, confrontos e tumultos deixaram cerca de 60 mortos no país desde a semana passada, marcando o pior período de crise egípcia desde a queda de Hosni Mubarak, em 2011.

Cerca de 6 mil manifestantes se amontoaram do lado de fora do palácio presidencial de Morsi em um distrito da capital, batendo nos portões e jogando pedras e sapatos em uma mostra de desobediência. Ao menos um coquetel molotov foi arremessado através dos portões enquanto as multidões gritavam "Fora, fora", em referência a Morsi. As forças de segurança dentro do palácio responderam com canhões de água e gás lacrimogêneo.

Com rojões multicoloridos estourando em seus escudos, policiais da tropa de choque perseguiram manifestantes nos arredores do palácio e incendiaram barracas onde eles estavam acampados. As bombas caseiras usadas pelos manifestantes chegaram a causar um breve incêndio dentro do complexo presidencial.

O chefe da Guarda Republicana, responsável pela proteção do palácio, disse que alguns manifestantes tentaram escalar muros e invadir o local.



O serviço de ambulâncias informou que 54 pessoas foram atendidas em todo o país, principalmente no Cairo. Duas testemunhas contaram que viram um manifestante morto, ferido com dois tiros, e fontes médicas e de seguranças confirmaram a morte de um jovem de 23 anos. 

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Milhares também protestaram na central Praça Tahrir, enquanto uma ampla multidão marchou através de Port Said, cidade no Canal de Suez, que foi palco dos piores choques e do maior número de mortos.

A onda de protestos começou em meio a manifestações marcando o segundo aniversário do início do levante que destituiu Mubarak. As mobilizações foram estimuladas pela irritação pública em relação ao monopólio de poder de Morsi e sua Irmandade Muçulmana e ao fracasso em lidar com os crescentes problemas do país.

Mas o ultraje ficou ainda maior pelo apoio público dado por Morsi ao que foi considerada uma repressão excessiva das forças de segurança contra manifestantes na semana passada, particularmente em Port Said, onde cerca de 40 morreram.

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O governo tem cada vez mais responsabilizado um grupo de manifestantes chamados de Bloco Negro, que usa máscaras pretas e prometeu defender a revolução, pela violência. Autoridades e a mídia estatal os descrevem como conspiradores, mas a oposição diz que elas estão usando o grupo como um bode-expiatório para justificar a repressão.

A violência fez Morsi no domingo decretar estado de emergência por 30 dias em Port Said, Suez e Ismailiya, localizadas perto do Canal de Suez, e também estabelecer um toque de recolher noturno. Como parte do estado de emergência, o governo autorizou os militares a prender civis.

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Uma fonte do gabinete de Morsi disse à Reuters que pessoas presas sob o estado de emergência serão submetidas a tribunais civis, e não à Justiça militar. Mesmo assim, a autorização enfureceu manifestantes que acusam Morsi de usar táticas semelhantes às de Mubarak, que governou por três décadas sob um estado de emergência que lhe permitia perseguir a oposição.

Na terça, o chefe militar do Egito alertou que o conflito político no país pode levar a um colapso do Estado e disse que proteger o Canal de Suez é um dos principais objetivos das Forças Armadas.

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