Rússia expressa preocupações por informações de ataque de Israel na Síria

Por iG São Paulo |

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País aliado de presidente sírio diz que suposta ação seria uma violação da Carta da ONU; fontes indicam que Israel atingiu comboio de caminhões com carregamento de armas

O Ministério de Relações Exteriores da Rússia expressou preocupações sobre um suposto ataque israelense na Síria, afirmando que tal ação seria uma violação inaceitável da Carta da ONU. "Se a informações for confirmada, então estaremos lidando com ataques lançados sem provocação contra alvos no território de um país soberano, o que viola de forma explícita a Carta da ONU e é inaceitável, independentemente dos motivos para justificar isso."

Fontes: Ataque aéreo de Israel atinge comboio de caminhões na Síria

Reuters
Rebeldes do Exército Livre da Síria seguram armas em frente de prédios destruídos em Homs (30/01)

Dois mortos: Síria diz que Israel atacou centro de pesquisa militar

O Exército sírio disse que jatos israelenses atacaram um centro de pesquisa militar em Jamraya, a noroeste de Damasco, deixando dois mortos e ferindo cinco. Sob condição de anonimato autoridades regionais e dos EUA, porém, afirmaram que o alvo foi um comboio de caminhões que parecia levar um carregamento de armas antiaéreas para o grupo militante islâmico Hezbollah no Líbano. O ataque acrescenta novos elementos de tensão para a já violenta guerra civil da Síria.

A Rússia é a principal aliada do presidente sírio, Bashar al-Assad, protegendo-o de sanções da ONU contra a repressão de seu regime ao levante popular iniciado em março de 2011. Segundo a ONU, a violência deixou mais de 60 mil mortos no país. Moscou também continuou fornecendo a Damasco armas mesmo quando a mobilização popular tornou-se uma guerra civil, acrescentando equipamento aos grandes arsenais de armas soviéticas e russas que a Síria recebeu durante décadas passadas.

Julho: Rússia e China vetam pela terceira vez resolução de sanções da ONU contra Síria

Oficiais regionais disseram que Israel planejava havia dias o ataque para atingir um carregamento de armas direcionadas ao  Hezbollah. Eles disseram que o carregamento incluiria sofisticados mísseis antiaéreos SA-17, de fabricação russa, que poderiam fortalecer estrategicamente o Hezbollah, que já se comprometeu com a destruição de Israel e travou uma guerra contra o Estado judeu no passado. O Exército israelense rejeitou fazer comentários sobre o caso.

Importantes autoridades israelenses expressaram recentemente preocupações de que, se desesperado, o regime de Assad poderia fornecer armas químicas para o Hezbollah ou outros grupos militantes. Funcionários americanos dizem que estão rastreando o armamento químico sírio, que aparentemente continua solidamente sob controle do regime.

Advertência: Israel ameaça atacar se Síria perder controle de armas químicas

Israel suspeita que Damasco obteve uma bateria de SA-17 da Rússia depois de um suposto bombardeio israelense em 2007 que destruiu um reator nuclear sírio inacabado.

No início desta semana, Israel moveu uma bateria de seu novo sistema de defesa de foguete "Domo de Ferro" para a cidade de Haifa, no norte de Israel, que foi atingida por disparos do Hezbollah na guerra entre Israel e o grupo em 2006. O Exército israelense classificou a medida de "rotineira".

O Exército do Líbano, país que compartilha fronteiras com Israel e Síria, disse na quarta que os aviões israelenses aumentaram drasticamente a atividade sobre o Líbano na última semana, incluindo ao menos 12 exercícios em menos de 24 horas no sul do país.

"Houve definitivamente um impacto na região da fronteira", disse uma fonte de segurança libanesa. Questionado sobre o ataque, um diplomata ocidental na região disse, sem especificar, que "alguma coisa tinha acontecido".

O vice-premiê israelense, Silvan Shalom, disse no domingo que qualquer sinal de que o controle da Síria sobre suas armas químicas está diminuindo poderia provocar uma intervenção de Israel.

Fontes israelenses disseram na terça-feira que as armas convencionais avançadas representariam uma ameaça tão grande para Israel quando suas armas químicas, caso elas caiam nas mãos das forças rebeldes sírias ou nas mãos da guerrilha Hezbollah baseada no Líbano.

*Com AP e BBC

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