Chefe do Exército alerta sobre colapso do Estado no Egito

Por iG São Paulo |

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Em suas primeiras declarações desde início de crise há cinco dias, ministro da Defesa diz que disputas políticas podem ameaçar futuras gerações; mortos chegam a quase 60

O chefe militar do Egito alertou que o conflito político no país pode levar a um colapso do Estado e disse que proteger o Canal de Suez é um dos principais objetivos das Forças Armadas em cidades atingidas por uma onda de violência que deixou quase 60 mortos em cinco dias.

Segunda: Manifestantes desafiam estado de emergência e violência continua no Egito

AP
Manifestantes egípcios usam celulares para fotografar blindado da polícia que foi incendiado durante protestos perto da Praça Tahrir, no Cairo (29/01)

Sábado: Confrontos no Egito sobre sentenças de morte deixam dezenas de mortos

"A continuação do conflito entre as diferentes forças políticas e das divergências sobre como o país deveria ser governado poderia levar ao colapso do Estado e ameaçar futuras gerações", disse El-Sissi em um discurso a cadetes postado na página oficial das Forças Armadas no Facebook.

Segundo Al-Sisi, os desafios econômicos, políticos e sociais que o Egito enfrenta representam "uma verdadeira ameaça à segurança do Egito e à coesão do Estado egípcio" e que o Exército permaneceria "o bloco coeso e sólido" em que o Estado repousa. As Forças Armadas, disse, pertencem a todos os egípcios, independentemente de sua filiação política ou religiosa.

O alerta feito por Abdel Fattah al-Sisi, que é também ministro da Defesa, é a primeira reação do poderoso Exército desde o início da crise iniciada na semana passada no segundo aniversário do início do levante que destituiu Hosni Mubarak.

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Os comentários foram feito dias depois de o presidente Mohammed Morsi ter ordenado os militares a restaurar a ordem em Port Said, Suez e Ismailiya, localizadas perto do Canal de Suez, que são três cidades que agora estão sob um estado de emergência de 30 dias e um toque de recolher noturno. Como parte do estado de emergência, o governo autorizou os militares a prenderem civis.

No entanto, os soldados não fizeram nada enquanto milhares de manifestantes desafiaram o toque de recolher iniciado às 21 horas nas cidades próximas ao Canal de Suez durante a noite e atacaram postos policiais. Além dessas três cidades, manifestantes saíram às ruas do Cairo e Alexandria.

"Abaixo, abaixo Mohammed Morsi! Abaixo, abaixo o estado de emergência", gritavam os manifestantes em Ismailia. No Cairo, os participantes do protesto incendiaram carros da polícia.

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Em Port Said, homens atacaram delegacias de polícia após o anoitecer. Uma fonte de segurança disse que alguns policiais e soldados ficaram feridos. Uma fonte médica disse que um homem foi morto nos distúrbios.

"O povo quer derrubar o regime", gritava a multidão em Alexandria, ecoando a palavra de ordem da revolução contra Mubarak.

Os manifestantes acusam Morsi de ter traído a revolução popular de 2011, enquanto o presidente e seus aliados recriminam os manifestantes por tentarem derrubar o primeiro líder democraticamente eleito na história egípcia.

Nos últimos dois anos, os políticos islâmicos venceram dois referendos, duas eleições parlamentares e uma votação presidencial. Mas essa legitimidade tem sido contestada por oposicionistas que acusam Morsi de impor uma nova forma de autoritarismo. Repetidas crises políticas desde a queda de Mubarak têm impedido a estabilização do Egito, mais populoso país do mundo árabe.

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Uma fonte do gabinete de Morsi disse à Reuters que pessoas presas sob o estado de emergência serão submetidas a tribunais civis, e não à Justiça militar. Mesmo assim, a autorização deve enfurecer manifestantes que acusam Morsi de usar táticas semelhantes às de Mubarak, que governou por três décadas sob um estado de emergência que lhe permitia perseguir a oposição.

*Com Reuters e AP

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