Manifestantes desafiam estado de emergência e violência continua no Egito

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Número de mortos em recente onda de violência é de 56; principal coalizão opositora do país rejeita oferta de diálogo feita no domingo por presidente

Polícia antidistúrbio disparou gás lacrimogêneo contra manifestantes munidos de pedras no centro da Cairo nesta segunda-feira, enquanto continuam os distúrbios no país um dia depois de o presidente Mohammed Morsi ter declarado um estado de emergência em três províncias e ter prometido lidar "firmemente" contra uma onda de violência política no país.

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AP
Manifestante se prepara para jogar pedra em meio a gás lacrimogêneo e fumaça durante confrontos com forças de segurança na Praça Tahrir, Cairo (27/1)

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A violência, que começou no segundo aniversário do início do levante que destituiu Hosni Mubarak, mergulhou o Egito mais uma vez em tumulto político e expôs as profundas divisões do país. Pelo menos 56 pessoas foram mortas nos atos de violência, que são alimentados pela raiva em relação às políticas do novo líder islamita do país e pelo lento passo da mudança.

No Cairo, centenas entraram em confronto com policiais do lado de fora de hotéis localizados perto do Nilo e perto da entrada leste da ponte Qasr el-Nil bridge. Nuvens brancas de gás lacrimogênio pairou sobre a área no início desta manhã de segunda. Também há vários manifestantes acampados há semanas na praça Tahrir, no Cairo, epicentro da revolução que derrubou Mubarak há dois anos.

"Queremos derrubar o regime e acabar com o Estado que é gerido pela Irmandade Muçulmana", disse o cozinheiro Ibrahim Eissa, de 26 anos, que protegia o rosto do gás lacrimogêneo que pairava na praça Tahrir.

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Centenas de manifestantes em Port Said, Suez e Ismailia se voltaram contra a decisão de Morsi de declarar o estado de emergência. Morsi, ligado à Irmandade Muçulmana, prometeu "confrontar qualquer ameaça à segurança com força e firmeza, dentro do que permite a lei".

A situação é mais grave em Port Said, onde dois dias de violência deixaram 40 mortos. Os distúrbios foram desencadeados no sábado pela condenação à morte de várias pessoas da cidade por ligação com um letal tumulto num estádio de futebol no ano passado. No domingo, participantes de funerais na cidade, onde armas são comuns, voltaram sua ira contra Morsi.

Num apelo aos oponentes laicos e liberais, ele convocou um diálogo nacional para esta segunda-feira às 18h (14h em Brasília), incluindo também aliados islâmicos, mas a Frente de Salvação Nacional, principal grupo de oposição, rejeitou a oferta.

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"A não ser que o presidente assuma a responsabilidade pelos incidentes sangrentos e prometa formar um governo de salvação nacional e uma comissão equilibrada para emendar a Constituição, qualquer diálogo será perda de tempo", escreveu no Twitter o influente político liberal Mohamed el Baradei no domingo, antecipando a decisão da oposição que foi rejeitada nesta segunda.

Críticos dizem que a decretação de emergência é um retrocesso para o Egito, que passou os 30 anos do regime de Mubarak sob um estado de exceção que permitia a repressão a grupos islâmicos de oposição, inclusive a Irmandade Muçulmana.

*Com AP e Reuters

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