Crise de refugiados sírios na Jordânia atinge ponto crítico

Por BBC Brasil |

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Aumento no número de refugiados está esgotando recursos do país e da ONU para lidar com a crise. Desde 1º de janeiro, Jordânia recebeu 26,5 mil sírios, chegando a total de 151 mil

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Com a chegada de até 3 mil pessoas por dia, a crise de refugiados sírios na Jordânia atingiu um ponto crítico, disse à BBC o coordenador humanitário da ONU na Jordânia, Andrew Harper. Segundo Harper, o grande aumento no número de novos refugiados sírios está esgotando os recursos do país vizinho e da ONU para lidar com a crise.

ONU: Mais de metade dos refugiados sírios são crianças

AP
Refugiados sírios abrem caminho na lama no campo em Zaatari, próximo à fronteira da Síria com a Jordânia (08/01)

Na Jordânia: Tempestade de inverno aumenta miséria e desespero de refugiados da Síria

Desde 1º de janeiro, mais de 26,5 mil refugiados sírios chegaram à Jordânia, sendo 10,5 mil apenas nos últimos cinco dias. O fluxo representa um aumento considerável em relação aos meses anteriores: foram 16,4 mil em dezembro, 13 mil em novembro e 10 mil em outubro. Atualmente, pelo menos 50 mil sírios esperam para cruzar a fronteira.

Recursos

Soldados que patrulham a fronteira da Jordânia monitoram o fluxo de refugiados sírios fugindo do conflito que já se estende por 22 meses. O governo jordaniano já advertiu que fechará sua fronteira com a Síria caso os refugiados cheguem em massa.

"É uma situação extremamente crítica", disse Harper, ao fazer um apelo por mais ajuda internacional. "Não temos mais recursos. Precisamos desesperadamente de dinheiro para ampliar esse campo e abrir dois outros", disse, referindo-se ao campo de refugiados de Zaatari, que já abriga mais de 70 mil.

A ONU diz ter recebido promessa de doações de apenas 3% do valor requisitado em seu apelo de 2013 para a crise síria.

'Abandono'

Segundo o correspondente da BBC Fergal Keane, em Zaatari os recém-chegados ao campo recebem quatro cobertores, e cada família ganha uma barraca. No entanto, muitos refugiados se sentem abandonados pelo resto do mundo.

Acnur: Refugiados sírios superam marca de meio milhão

"De que servem suas câmeras? Não estamos recebendo ajuda de ninguém", disse um homem à equipe da BBC. Uma mulher chamada Fatima disse à BBC que decidiu fugir com o marido e os três filhos depois que a casa da família foi destruída durante um bombardeio à cidade de Deraa. "Não há comida, não há trabalho", disse. "As crianças choram o tempo todo."

A maioria dos refugiados chegou a pé, guiados até a fronteira por rebeldes do Exército Livre da Síria. Do outro lado, são recebidos por soldados jordanianos. Localizado nas cercanias da cidade de Ramtha, o campo é uma vasta extensão de barracas e algumas construções pré-fabricadas no deserto.

Há assistência médica dentro do campo, e agências como Unicef e Save de Children fornecem aconselhamento para ajudar os refugiados a superar o trauma. Também há escolas improvisadas.

AP
Refugiados sírios carregam seus pertences no campo de refugiados de Zaatari, perto da fronteira síria em Mafraq, Jordânia (09/01)

Vídeo: Refugiados sírios vivem situação de miséria e desespero

No entanto, segundo o correspondente da BBC, o crescente número de novos refugiados está esgotando os recursos existentes.

Agricultura

Calcula-se que o conflito na Síria tenha deixado mais de 60 mil mortos. Segundo a ONU, há atualmente mais de 670 mil refugiados sírios registrados e pessoas esperando pelo registro na Jordânia, Turquia, Líbano, Iraque e Egito.

Oficialmente, a Jordânia abriga 151 mil refugiados. No entanto, há outros 53 mil à espera de registro. O Líbano abriga 153 mil, e tem outros 67 mil à espera. A Turquia diz abrigar cerca de 157 mil refugiados sírios.

Na quarta-feira, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação alertou também para problemas na agricultura, já que houve uma forte queda na produção agrícola na Síria. Segundo a ONU, o conflito está destruindo a infraestrutura e o sistema de irrigação e tornando mais difícil a colheita. Cerca de 46% da população síria depende de agricultura para subsistência, diz a ONU.

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