Jordânia vai às urnas, mas principal partido islâmico boicota eleição

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Irmandade Muçulmana acusou distorção no sistema eleitoral por deixar cidades de lado em prol das áreas rurais, onde domina o bloco governista

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Manifestantes tomam as ruas de Amã, na Jordânia, em protesto contra o rei Abdullah 2°, em 5/10/2012

Os jordanianos votaram nesta quarta-feira (23) nas primeiras eleições parlamentares do país desde as revoltas da Primavera Árabe, sem a participação do principal partido islâmico, que exige o fim da corrupção governamental e mais voz aos pobres de zonas urbanas.

A Irmandade Muçulmana diz que o sistema eleitoral está distorcido por deixar de lado as cidades, seu principal reduto, em prol das áreas tribais dominadas por conservadoras forças políticas governistas.

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Por volta de 15h (horário de Brasília), o comparecimento eleitoral chegava a 56,5 por cento, mas os islamitas acusaram as autoridades de tentar inflar um comparecimento baixo para disfarçar o impacto do boicote. Os resultados oficiais estão previstos para quinta-feira.

A ausência da Irmandade reduziu a eleição a uma disputa entre líderes tribais, figuras conhecidas e empresários, sendo que poucos dos 1.500 candidatos concorrem por partidos reconhecidos. Denúncias de compra de votos são comuns.

A Jordânia, uma monarquia aliada dos Estados Unidos, teve grandes protestos contra a corrupção e críticas ao rei Abdullah, mas não na mesma dimensão das rebeliões que derrubaram governantes no Egito, na Tunísia e no Iêmen, além de desencadear guerras civis na Líbia e na Síria.

O governo prometeu eleições livres e justas e previu um bom comparecimento, apesar do boicote.

"Não há duas pessoas na Jordânia que estão sussurrando que o governo vai interferir nas eleições", o primeiro-ministro Abdullah Ensour disse à Reuters esta semana.

A Irmandade Muçulmana é o partido mais popular na Jordânia - com forte apoio nas cidades, especialmente entre os mais pobres palestinos que vivem lá. 

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