Em raro discurso, presidente da Síria pede "ampla mobilização" contra rebeldes

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Bashar al-Assad prometeu esmagar os grupos armados que lutam para derrubá-lo. Presidente sírio ainda saudou Rússia, China e Irã pelo apoio recebido

O presidente sírio Bashar al-Assad fez neste domingo sua primeira grande declaração pública em meses sobre o levante contra seu governo. O líder convocou uma "ampla mobilização nacional" para a luta contra os rebeldes que, segundo ele, são terroristas da Al-Qaeda.

"O sofrimento no território da Síria é esmagador. Não há lugar para a alegria, enquanto a segurança e a estabilidade estão ausentes nas ruas de nosso país", disse Assad em um discurso na casa de ópera no centro de Damasco. "A nação é para todos e todos nós temos que protegê-la."

- Exército sírio lança foguetes contra bairro de Damasco 

Trata-se da primeira manifestação pública de Assad desde uma entrevista à televisão russa em novembro, quando ele se comprometeu a permanecer na Síria e lutar até a morte, se necessário. 

Reuters
O presidente sírio Bashar al-Assad faz seu primeiro discurso público desde 20 de junho

Dentre outras críticas ao movimento rebelde, Assad disse que “aqueles que são inimigos de Deus vão para o inferno”. Além disso, disse que os que são contra seu governo “não são sírios”, mas sim “um bando de criminosos".

"O primeiro estágio de uma solução política exigiria que as potências regionais parem de financiar e armar (a oposição), o fim das operações terroristas e o controle das fronteiras", disse ele. "Nós não vamos ter um diálogo com um fantoche feito pelo Ocidente", disse ele.

Entretanto, a fala de Assad não foi só de críticas. O presidente sírio saudou Rússia, China e Irã pelo apoio recebido. A revolta de 21 meses contra Assad se tornou uma guerra civil que a Organização das Nações Unidas (ONU) diz que já matou 60.000 pessoas.

Oposição

Inimigos estrangeiros de Assad desdenharam e desconsideraram o discurso: "As declarações dele são apenas repetições do vem dizendo esse tempo todo", disse o ministro das Relações Exteriores turco, Ahmet Davutoglu. "Parece que ele se trancou em um quarto e só lê os relatórios da inteligência que dão para ele."

O ministro britânico de Relações Exteriores, William Hague, disse que "promessas vazias de reforma não enganam ninguém". Em uma mensagem no Twitter, acrescentou: "a violência, a morte e a opressão engolindo a Síria foram construídas por ele mesmo".

A chefe de Relações Exteriores da União Europeia, Catherine Ashton, disse que Bruxelas vai "analisar cuidadosamente se há algo de novo no discurso, mas nós mantemos nossa posição de que Assad tem que se afastar e permitir uma transição política".

*com Reuters

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