Forças do governo atacaram o distrito de Jobar, de maioria sunita e próximo ao centro da capital do país

Reuters

O Exército sírio lançou neste sábado (5) foguetes em um bairro da capital, Damasco, na tentativa de expulsar insurgentes que batalham para abrir caminho em direção à sede do poder do presidente Bashar al-Assad.

Enquanto persiste a luta que já matou 60 mil pessoas em 21 meses de guerra civil, o vice-ministro de Relações Exteriores da Síria, Faisal al-Makdad, visitava neste sábado o Irã, em busca de apoio do país, principal aliado regional de Assad.

De acordo com a agência de notícias iraniana Fars, Al-Makdad iria se encontrar com o presidente Mahmoud Ahmadinejad e outras autoridades do Irã.

Acompanhe todas as notícias sobre as revoltas no mundo árabe

As forças do governo sírio lançaram foguetes contra o distrito de Jobar, um enclave sunita próximo ao centro de Damasco, um dia depois de bombardear Daraya, subúrbio no leste e parte de conjunto de áreas sob controle dos rebeldes na periferia, disse o ativista Housam, na capital.

"O bombardeio começou nas primeiras horas da manhã, se intensificou depois das 11 horas e agora se tornou muito pesado. Ontem, foi em Daraya e, hoje, Jobar é o ponto mais quente em Damasco", afirmou ele por meio do Skype.

A guerra na Síria, o mais longo e mais mortífero dos conflitos que surgiram das revoltas populares nos países árabes nos últimos dois anos , já matou pelo menos 60 mil pessoas, de acordo com um balanço divulgado nos últimos dias pelas Nações Unidas .

O conflito opõe os rebeldes, principalmente egressos da maioria muçulmana sunita, contra Assad e seu círculo de poder, provenientes da minoria alauíta, uma ramificação do xiismo. A família Assad governa a Síria desde que o pai de Bashar tomou o poder em um golpe de Estado há 42 anos.

Segundo a agência de notícias estatal síria Sana, o jornalista Suheil al-Ali, da TV Addouniya (pró-governo), morreu em consequência de ferimentos sofridos em um ataque de terroristas - termo que a mídia estatal usa para se referir aos rebeldes.

A Síria foi, de longe, o país mais perigoso para os jornalistas no ano passado , com 28 mortes.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, grupo ligado à oposição que monitora o conflito da Grã-Bretanha por meio de uma rede de ativistas no território sírio, informou que havia neste sábado combates e bombardeios perto de Damasco, na cidade de Deir al-Zoor, no leste, e perto do centro da cidade de Hama.

Rebeldes fizeram grandes avanços nos últimos seis meses, assumindo o contole de porções do território no norte e no leste e um leque de subúrbios nos arredores de Damasco. Seu domínio sobre essas regiões, no entanto, é limitado pelo poder aéreo das forças de Assad.

As forças de Assad ainda controlam a maior parte do sudoeste densamente povoado, ao redor da capital, a costa mediterrânea, a estrada principal norte-sul e bases militares em todo o país, de onde partem as aeronaves capazes de atacar as áreas controladas pelos insurgentes.

Bashar al-Assad fará um discurso no domingo, sua primeira grande declaração pública em semanas sobre o levante contra seu governo, informou a mídia estatal neste sábado. Segundo a televisão síria, Assad, que prometeu esmagar os rebeldes armados que lutam para derrubá-lo, falará sobre os "desdobramentos na Síria e na região".

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.