Síria está condenada ao 'inferno' sem acordo político, diz oficial da ONU

Mediador que tenta plano de paz pediu ajuda para que não ocorra um derramamento de sangue cada vez maior no país

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O mediador internacional que está tentando um plano de paz para a Síria alertou neste sábado sobre o "inferno" em que o país se transformará caso os dois lados em guerra evitem as conversações, e Moscou culpou os inimigos do presidente Bashar al-Assad de se recusarem a negociar.

O enviado da ONU e da Liga Árabe, Lakhdar Brahimi, disse em Moscou que as pessoas responsáveis dentro e fora da Síria deveriam "ajudar os sírios a impedir que ocorra cada vez mais derramamento de sangue e que o país mergulhe cada vez mais no caos e talvez se transforme em um país enfraquecido."

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Esforços para encontrar uma solução negociada para a guerra que já dura 21 meses, e que já matou cerca de 44 mil pessoas, têm encontrado dificuldades A oposição, impulsionada por avanços militares dos rebeldes, exige que Assad deixe o poder antes de avançar com as conversações.

Em um sinal de que a guerra pode não ser vencida rapidamente, as forças do governo - em retirada em boa parte dos últimos meses - conseguiram uma vitória na cidade estrategicamente importante e central de Homs, expulsando os rebeldes de um distrito, depois de dias de combates.

Mas no Norte, a companhia aérea nacional de Síria teve que cancelar um voo do Cairo para Aleppo, de acordo com funcionários da Egyptian Airlines, devido à falta de segurança em um aeroporto que os rebeldes declararam ser um alvo e onde explosões podiam ser ouvidas durante a noite.

Brahimi passou cinco dias em Damasco essa semana como parte de um grande esforço para promover um plano de paz que está pronto há meses e que exige a formação de um governo de transição, sem especificar o papel de Assad.

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Países ocidentais e alguns países árabes que apoiam a revolta contra Assad têm esperança que a Rússia, seu principal protetor internacional e fornecedor de armas, retire o seu apoio.

Eles têm procurando sinais de que Moscou, um aliado da Síria desde que o pai de Assad assumiu o poder a 42 anos, esteja mudando sua posição - até agora isso tem sido basicamente em vão.

Depois de se reunir com Brahimi, o ministro do exterior russo, Sergei Lavrov, reafirmou com veemência a posição de Moscou de que a remoção de Assad não pode ser um pré-requisito para as negociações, chamando a recusa da oposição síria para conversar em Damasco de "um beco sem saída".

Os EUA e seu aliados esperam que uma mudança de posição de Moscou possa conduzir Assad a ceder o poder, assim como a retirada do apoio da Rússia ao líder sérvio Slobodan Milosevic levou à sua queda há uma década.

Lavrov observou que Assad tem constantemente repetido que não vai sair, acrescentando que a Rússia "não tem a capacidade de mudar isso".

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O plano de paz de Brahimi está paralisado devido à exigência da oposição para que Assad seja excluído de qualquer governo de transição, um pré-requisito também apoiado pelos EUA, países europeus e pela maioria dos países árabes.

O presidente do Egito, Mohamed Mursi, reiterando o apoio público para a rebelião do mais populoso país árabe, disse que não "há lugar para o regime atual no futuro da Síria".

A maioria dos países árabes é governada pelos muçulmanos sunitas, que constituem a maioria na Síria e formam a base da revolta contra Assad, um membro da seita xiita ligada à seita minoritária alauíta.

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