Rebeldes da Síria temem uso de armas químicas pelo regime de Assad

Salim Idris, que desertou do Exército em julho, calcula que sem a ajuda estrangeira rebeldes podem levar até três meses para derrubar governo da Síria

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O novo comandante rebelde militar da Síria disse ter "muito medo" de que quando o presidente sírio, Bashar al-Assad, estiver encurralado, irá utilizar armas químicas contra seu próprio povo. Ele afirmou também que a oposição não tem os meios para impedi-los e de proteger a população.

O general Salim Idris, que desertou do Exército sírio em julho, disse à Associated Press em uma entrevista que os rebeldes poderiam derrotar o regime dentro de um mês se fornecido com armas anti-aéreas. Sem a ajuda militar estrangeira, ele estimou que poderia levar até três meses.

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Salim Idris, que desertou do Exército sírio em julho, concede entrevista em Antakya, Turquia


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As tropas de Assad estão no limite e perderam muito poder nos últimos meses , principalmente no noroeste da Síria, mas controlaram rebeldes com inúmeros bombardeios aéreos. Idris afirmou que mais de 120 mil homens armados estão lutando contra Assad, um número difícil de confirmar em meio ao caos da guerra civil.

Idris disse que os rebeldes estão tentando controlar os locais de armas químicas do regime.
Acredita-se que a Síria tem um dos maiores arsenais químicos do mundo. No início desta semana, o embaixador da Síria na ONU, disse que o regime não utilizaria tais armas em nenhuma circunstância. No entanto, recentes relatórios de inteligência dos Estados Unidos indicaram que o regime pode estar preparando armas químicas e poderia estar desesperado o suficiente para usá-las.

O regime "pode e irá" usar armas químicas, a menos que a comunidade internacional force Assad a deixar o poder, disse Idris. "Nós sabemos exatamente onde eles estão, e estamos vendo tudo, mas não temos a capacidade de controlá-los."

O Ocidente mostrou pouco desejo de intervir militarmente no conflito da Síria, mas o presidente Barack Obama disse que o uso de armas químicas por parte do regime contra os rebeldes seria algo "alarmante" .

No início desta semana, o embaixador da Síria na ONU, Bashar Ja'afari, afirmou que os grupos extremistas poderiam utilizar armas químicas contra os sírios e depois culpar o governo.

Idris, um professor de eletrônica de 55 anos de idade treinado na Alemanha, foi escolhido no início deste mês como chefe de equipe por várias centenas de comandantes de unidades rebeldes que se reuniram na Turquia.

Com a eleição de Idris e um centro de comando militar com 30 membros, a oposição da Síria espera transformar grupos de combatentes em grande parte autônomos em uma força unificada. A reorganização veio depois que a oposição política da Síria ganhou reconhecimento internacional este mês , como sendo a única representante do povo sírio.

Falando em um saguão de hotel no sul da cidade turca de Antakya, perto da fronteira com a Síria, Idris disse que o novo comando militar representa a grande maioria desses combatentes, e que ele começou a assumir o comando dentro da Síria nos últimos dias. O ex-general disse que ele criou cinco centros regionais de operações, cada um com cerca de 15 oficiais desertores do Exército.

Ele disse que fica frustrado algumas vezes, com a falta de disciplina entre os rebeldes, a grande maioria deles civis sem formação militar adequada. "Precisamos de muita paciência", disse. "Se temos uma batalha, alguns simplesmente aparecem sem terem sido convidados. Eles querem participar e atirar."

Idris disse que na terça-feira, dia 18 de dezembro, ele passou a maior parte do dia perto da cidade de Hama, observando uma tentativa rebelde bem sucedida de capturar cinco postos de controle do regime.

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