Chefe da polícia militar síria deserta e une-se à 'revolução' contra Assad

Em vídeo, general Shallal anuncia que deixa governo porque Exército se transformou em 'gangues de assassinato e destruição'; ataque mata 20, incluindo 8 crianças, no norte do país

iG São Paulo |

O chefe da polícia militar da Síria, o general Abdul-Aziz Jassem al-Shallal, desertou e declarou lealdade à "revolução popular" contra o presidente Bashar al-Assad, de acordo com um vídeo e uma fonte de segurança.

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"Sou o general Abdul-Aziz Jassem al-Shallal, chefe da polícia militar. Desertei por causa do desvio do Exército de seu dever primário de proteger o país e de sua transformação em gangues de assassinato e destruição", disse o oficial em um vídeo publicado no YouTube e veiculado pela estação de TV Al-Arabiya.

Uma fonte de segurança da Síria confirmou a deserção, mas subestimou sua importância, dizendo que Shallal deveria se aposentar e havia desertado para "brincar de herói".

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Dezenas de generais desertaram desde o início da crise síria, em março de 2011, mas Shallal é um dos mais graduados e detinha um posto de alta hierarquia ao deixar o cargo. Em julho, o general  Manaf Tlass foi o primeiro membro do círculo próximo de Assad a unir-se à oposição. 

No vídeo, Shallal acusou o Exército de "destruir cidades e vilas e cometer massacres contra nossa população inocente que saiu às ruas para reivindicar liberdade". Nos últimos 21 meses, milhares de soldados sírios desertaram para agora lutar do lado das forças antigoverno. Muitos citaram os ataques contra civis como a razão para mudar de lado.

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Nesta quarta, de acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), um bombardeio do regime sírio contra a localidade de Qahtaniyeh, no norte do país, deixou ao menos 20 mortos, incluindo oito crianças e três mulheres. Um vídeo amador mostrou os corpos de dezenas de pessoas, incluindo crianças, deitadas em quarto. Alguns tinham sangue em suas roupas, enquanto era possível ouvir choros no som de fundo. 

Também nesta quarta, ativistas disseram que rebeldes lançaram um ataque à base militar de Wadi Deif, na Província de Idlib, norte. A base, que fica perto da cidade estratégica de Maaret al-Numan, está sob certo há semanas.

A crise síria começou com protestos demandando reformas, mas posteriormente se tornou uma guerra civil. Ativistas contrários ao regime estimam que a violência dos últimos 21 meses deixou mais de 40 mil mortos.

*Com Reuters e AP

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