Após reunião com Assad, enviado da ONU diz que situação na Síria é 'preocupante'

No cargo desde setembro, argelino Brahimi não dá nenhuma indicação de que houve progresso para solução negociada para guerra civil

iG São Paulo | - Atualizada às

O enviado especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Lakhdar Brahimi, disse nesta segunda-feira que a situação no país ainda é "preocupante" e não deu nenhuma indicação de progresso em direção a uma solução negociada para a guerra civil após manter uma reunião com o presidente Bashar al-Assad no palácio presidencial em Damasco.

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oto divulgada pela agência oficial Sana mostra líder sírio, Bashar al-Assad (D), com enviado especial para a Síria, Lakhdar Brahimi, em Damasco

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A reunião desta segunda foi o terceiro encontro de Brahimi com Assad, mas a violência continua em uma escalada. No domingo, um ataque aéreo contra uma padaria deixou 60 mortos em uma cidade na Província de Hama, centro do país, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

A oposição denuncia um "massacre" cometido pela Força Aérea síria, enquanto a agência oficial de notícias Sana afirma que o Exército interveio no local depois de um ataque de "terroristas", termo utilizado pelo regime para designar os rebeldes.

Sem dar detalhes, Brahimi disse que ele e Assad trocaram opiniões sobre a crise e discutiram possíveis passos a adotar adiante. "A situação na Síria ainda é preocupante, e esperamos que todas as partes se dirijam para a solução que a população síria espera", afirmou.

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De acordo com a agência de notícias estatal da Síria, Assad afirmou que seu governo apoia "quaisquer esforços no interesse da população síria que preservem a soberania e a independência da nação".

Aparentemente, Brahimi obteve poucos progressos para alcançar um fim para o conflito desde que assumiu a função, em setembro, sendo a principal causa o fato de os dois lados se recusarem a falar um com o outro.

De acordo com ativistas contrários ao regime de Assad, o conflito que dura 21 meses deixou mais de 44 mil mortos. "Contei-lhe sobre o que venho vendo no exterior e sobre as reuniões que mantive com diferentes autoridades na região e fora dela", disse o argelino após o encontro.

Brahimi discutiu recentemente com líderes americanos e russos, cujas posições são diametralmente opostas sobre o conflito. Os EUA cobram a saída de Assad, enquanto a Rússia apoia o regime de Damasco .

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Vitórias de rebeldes na captura de várias posições militares no país fizeram forças do governo responderem pesado com ataques aéreos e artilharia. O confronto agora está perto de Damasco, com batalhas em distritos no sul da capital e nos subúrbios.

Em sua última visita à Síria, em meados de outubro, o enviado se reuniu com Assad e vários altos funcionários, com quem havia negociado o estabelecimento de um cessar-fogo para a festa muçulmana de Al-Adha, uma trégua que nunca foi respeitada.

Enquanto a comunidade internacional alerta para o possível uso de armas químicas pelo regime sírio, o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, afirmou ao canal Russia Today que tal atitude seria "suicídio político".

De acordo com especialistas, a Síria tem estoques de armas químicas que remontam à década de 1970 e é o maior do Oriente Médio, com centenas de toneladas. Já Damasco tem afirmado regularmente que "no caso de" possuir as armas, nunca as usaria .

*Com AP, Reuters e AFP

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