Explosão de carro-bomba e combates atingem capital da Síria

Grupo relatou cinco mortes e vários feridos no ataque e informou outros confrontos entre rebeldes e forças leais ao presidente Bashar al-Assad em região do sul de Damasco

iG São Paulo |

Um carro-bomba explodiu no distrito de Qaboun, no leste de Damasco, neste sábado, e relatos iniciais dizem que cinco morreram e vários ficaram feridos, de acordo com o Observatório Sírio de Direitos Humanos. O grupo ainda relatou confrontos entres rebeldes e forças leais ao presidente Bashar al-Assad nas cercanias da vizinhança de Hajar al-Aswad, no sul de Damasco. O distrito está próximo do campo de refugiados palestinos de Yarmouk, que foi tomado pelos rebeldes esta semana.

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A comunidade internacional corre contra o tempo para conseguir estabelecer um plano que evite que as armas químicas do governo de Bashar Al-Assad, na Síria, caiam em mãos erradas, se houver uma mudança de regime no país. Apesar de Assad ainda poder ficar no poder por algum tempo - ele já conseguiu se manter no cargo por mais tempo que muitos previam - mas a situação está mudando tão rapidamente na Síria que o Ocidente não está conseguindo elaborar um plano para lidar com os diversos desafios que surgirão, no caso de uma queda do governo.

Afp/YouTube
Carro-bomba explode em distrito de Damasco neste sábado

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Mike Rogers, presidente do comitê de inteligência da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, disse à BBC que caso um plano para lidar com as armas químicas da Síria não seja elaborado logo, toda a região pode entrar em conflito - com o envolvimento de Estados como o Líbano e de grupos considerados terroristas pelos americanos.

"Eu acho que temos muito mais trabalho pela frente para nos certificarmos que a Liga Árabe, a Turquia e nossos aliados europeus estão em perfeita harmonia com um plano que permita a segurança imediata destes sistemas armamentistas", disse Rogers. "Caso contrário, nós teremos uma série de eventos desestabilizadores na região, e isso será muito perturbador para a estabilidade de governos no Oriente Médio."

Ocidente

A Síria dos dias atuais é bastante diferente do Iraque daquela época, sobretudo em dois aspectos. Primeiro, o governo de Assad não nega possuir armas químicas. Ele apenas diz que não tem intenção de usá-las. E, ao contrário do Iraque, em que o governo de George W. Bush estava com pressa para invadir, o Ocidente tem feito de tudo para evitar um conflito militar internacional na Síria. Mas curiosamente a cautela do Ocidente em se envolver militarmente na Síria está produzindo outros tipos de problemas desta vez. Malik Abdeh, um jornalista sírio que vive na Grã-Bretanha, acredita que os sírios têm bastante resistência à ideia de presença militar ocidental no país. "O Ocidente se recusou a armar a oposição, e portanto as pessoas na oposição sentem que o Ocidente não terá direito moral de intervir depois que Assad deixar o poder", afirma o jornalista.

A decisão americana de colocar o grupo insurgente Jabhat Al-Nusra na lista de organizações terroristas - devido à sua ligação com a al-Qaeda - foi vista como uma péssima medida por ativistas da oposição, diz Abdeh. "As pessoas veem isso como uma hipocrisia, que o Ocidente designe aqueles que lutam contra Bashar al-Assad como terroristas, ao mesmo tempo em que os Estados Unidos desejam a queda de Bashar al-Assad."

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Até agora, a maior parte das preparações do Ocidente para a queda de al-Assad na Síria foram diplomáticas - com aproximação junto a opositores que vivem no exterior e com pedidos de ações das Nações Unidas. Alastair Burt, ministro britânico de Estado para o Oriente Médio e Norte da África, afirma que a Grã-Bretanha "trabalha com uma variedade de agências diferentes para se preparar com o máximo de tempo possível".

Exército 'crucial'

Uma pessoa que conhece bem os perigos do colapso de um regime no Oriente Médio é Tim Cross, o general britânico enviado ao Iraque para ajudar na reconstrução do país em 2003. Ele não simpatiza com Assad, mas acredita que o Ocidente cometeu um erro estratégico ao tentar isolá-lo tão rapidamente. "Eu acho que o Ocidente não soube lidar com isso muito bem", diz ele. "Nós nos voltamos com muita força contra Assad e cedo demais neste contexto. Nós o demonizamos muito cedo, nós o alienamos, o empurramos em um canto, e agora estamos vendo o resultado disso."

Na prática, a situação está mudando tão rapidamente na Síriam que o Ocidente está com dificuldades de acompanhar os eventos. O Jabhat Al-Nusra, por exemplo, não tem intenção de abandonar suas armas se Assad for derrotado. Para Malik Abdeh, só uma força central pode impedir que a Síria se desintegre em facções, caso Assad seja derrubado. "A esfera da influência do Ocidente, dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha na Síria é limitada", diz ele. "Haverá pelo menos cinco anos de instabilidade no país, mesmo quando Bashar al-Assad tiver ido embora. O que realmente importa é o Exército. O Exército é fundamental para a sobrevivência de Bashar al-Assad, e também para a sobrevivência da Síria que conhecemos."

Com Reuters e BBC

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