Egito inicia segunda fase de referendo sobre Constituição

Urnas foram abertas na manhã deste sábado em 17 províncias do país; é esperado que o 'sim' vença, pois votação ocorre em áreas mais conservadoras

iG São Paulo |

As urnas de votação foram abertas na manhã deste sábado (22) no Egito para a segunda fase do referendo sobre o polêmico projeto de Constituição ,  que divide o país e que provocou novos confrontos na sexta-feira (21). Filas se formaram em frente a várias escolas das 17 províncias que votam neste sábado pouco depois das 8h (4h no horário de Brasília).

De acordo com dados não oficiais, o "sim" venceu com quase 57% dos votos a primeira fase da votação, no sábado passado. O resultado pelo "sim" deve ser ainda mais expressivo neste sábado, quando a votação ocorrerá em áreas mais conservadoras, e portanto mais propensas a apoiar o presidente egípcio, Mohammed Morsi. 

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Apesar disso, a frágil vitória do "sim" na última semana e a baixa participação no referendo constitui um fracasso político para o presidente egípcio.

Quase 25 milhões foram chamados a votar durante todo o dia. As urnas devem fechar às 19h (15h no horário de Brasília), mas na semana passada a comissão eleitoral estendeu a votação em quatro horas, até às 23h.

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A opção de dividir o país em duas zonas de votação foi tomada a fim de evitar o boicote de muitos juízes encarregados de supervisionar a eleição. Este referendo foi precedido por várias semanas de protestos que, ocasionalmente, degeneraram em confrontos entre opositores e partidários do presidente e da Irmandade Muçulmana, que defendem a proposta de Constituição.

Na sexta-feira, a violência entre pró e anti-Morsi deixou dezenas de feridos na segunda maior cidade do Egito, Alexandria

Para a presidência, a adoção de uma nova Constituição traria ao país uma estabilidade institucional, concluindo assim a transição tumultuada que vive o Egito desde a queda do presidente autocrata Hosni Mubarak , em fevereiro de 2011.

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A oposição, que denunciou "fraudes e irregularidades" durante a primeira fase do referendo, acredita que o texto abre caminho para a islamização do país e que tem graves lacunas em termos de proteção das liberdades.

A aprovação da Constituição é um pré-requisito para a realização de novas eleições parlamentares no começo do ano que vem. A oposição diz que, se for derrotada no referendo constitucional, vai se esforçar para eleger uma bancada expressiva para fazer emendas à nova Constituição

O referendo ocorre também em um contexto de crise econômica. A incerteza política levou o governo a adiar o pedido de um empréstimo de US$ 4,8 bilhões do Fundo Monetário Internacional (FMI) e adiar também um aumento de impostos planejado para evitar novos protestos.

Com AFP

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