Dividido, Egito conclui referendo constitucional em meio a tensões

País foi às urnas neste sábado para definir se adota uma nova Constituição; opositores dizem que nova Carta favorece os islamitas

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Eleitores foram às urnas do Egito neste sábado, no segundo dia de um referendo que vai definir a adoção ou não de uma nova Constituição, a qual motivou uma onda recente de tensão e violência .

Opositores do presidente Mohammed Morsi voltaram a se manifestar contra o rascunho da nova Carta, alegando que ela favorece islamitas (atualmente no poder) e trai a revolução que derrubou no ano passado o regime de Hosni Mubarak. Já simpatizantes de Morsi afirmam que a Constituição ajudará a proteger a nascente democracia egípcia.

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Cerca de 250 mil oficiais de segurança foram às ruas do país, na tentativa de evitar distúrbios como os das últimas semanas. A votação era prevista até as 23h locais (18h em Brasília). Segundo resultados preliminares e não oficiais, 56% dos eleitores devem aprovar a nova Constituição. A contagem oficial é esperada para segunda-feira.

Sim ou não

AP
Mulheres esperam na fila de votação em referendo que vai definir se Egito adota nova Constituição

O referendo começou no sábado passado, e neste sábado foram às urnas 17 províncias egípcias que são consideradas mais conservadoras - e, assim, possivelmente mais alinhadas com o partido de Morsi (a Irmandade Muçulmana) e com suas propostas para a nova Carta. "Estamos em crise há tampo tempo, estamos esgotados", afirmou à Associated Press a egípcia Hanaa Zaki, que votou "sim" para, como muitos, tentar viver em estabilidade após meses de protestos e revolução.

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Já entre os que rejeitam os termos da Carta, o temor é de excessivo poder aos islamitas, em detrimento de cristãos e seculares. Muitos alegam também que o texto não oferece proteções às liberdades religiosa e de expressão e respeito aos direitos humanos, motivações que estiveram por trás da derrubada de Mubarak.

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Além disso, grupos de direitos humanos dizem que falta um compromisso claro em promover a igualdade entre homens e mulheres, o fim das prisões arbitrárias e da tortura. "Vou votar 'não' porque o Egito não pode ser governado apenas por uma facção", disse à Reuters o eleitor Karim Nahas. Se a Constituição for aprovada, será necessário realizar eleições parlamentares em até três meses.

Temor de violência

Muitos temem que, mesmo terminado o pleito, apoiadores e detratores da Irmandade Muçulmana protagonizem novas cenas de violência. "Passe ou não a Constituição, vai haver problema. Deus tenha misericórdia de nós", disse à AP a egípcia Marianna Abdel-Messieh. Ahmed Said, líder do Partido dos Egípcios Livres e membro da coalizão opositora, também prevê mais distúrbios no país.

Renúncia do vice-presidente

Ao mesmo tempo, foi anunciada neste sábado a renúncia do vice-presidente do país, Mahmoud Mekki, que alegou que "a natureza da política não combina" com sua formação de juiz. Mekki disse que havia tentado renunciar em 7 de novembro, mas foi impedido por "eventos" - como os conflitos israelo-palestinos em Gaza e o decreto do presidente Morsi, que aumentou os próprios poderes. O decreto foi em grande parte revogado desde então, após uma onda de protestos contra Morsi.

Mahmoud Mekki é considerado um dos juízes mais importantes do Egito. Segundo a correspondente da BBC no Cairo, Shaimaa Khalil, tudo indica que ele estava insatisfeito com o excesso de poder de Morsi e com o fato de não ser consultado em temas-chave. Além disso, se a nova Constituição for de fato aprovada, Mekki poderia ficar sem cargo, já que a nova Carta não exige que um vice-presidente seja nomeado no país.

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