Manifestantes entram em confronto em comício de islamistas no Egito

Alexandria é palco de violência pela segunda vez em uma semana; opositores e partidários do presidente egípcio atiraram pedras uns contra os outros deixando 32 feridos

iG São Paulo |

Partidários do presidente do Egito, Mohammed Morsi, e opositores ao governo entraram em confronto nesta sexta-feira (20), atirando pedras uns contra os outros em Alexandria, segunda maior cidade do país. O conflito ocorre às vésperas da votação final de um referendo sobre uma nova Constituição elaborada pelos islamistas.

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AP
Manifestante mascarado posa segurando lata de gás lacrimogêneo em frente a um carro queimado durante protesto em Alexandria, no Egito


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A polícia lançou gás lacrimogêneo enquanto diversos opositores à Constituição e milhares de muçulmanos atiravam pedras apesar do cordão de segurança que os separava. As manifestações se concentraram perto de uma mesquista Alexandria, mesmo palco da violência na semana passada . "Alá é grande", gritavam os islamistas quando os confrontos começaram.

Segundo a agência estatal egípcia, Mena, o ministro da Saúde afirmou que os confrontos deixaram 32 feridos na cidade.

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Muçulmanos reuniram-se para apoiar uma visão islâmica para o futuro do Egito um dia antes da segunda etapa de votações em um referendo sobre a Constituição. Partidários da oposição também haviam comparecido para as orações desta sexta.

Morsi e seus aliados consideram que o projeto constitucional a ser votado no sábado é crucial para que o Egito conclua sua transição para a democracia, quase dois anos depois da rebelião popular que derrubou o ditador Hosni Mubarak .

A Irmandade Muçulmana convocou a concentração popular após um violento confronto de partidários do grupo islâmico contra integrantes da oposição laica e liberal na segunda maior cidade do Egito na semana passada. O incidente terminou com um clérigo sitiado dentro da sua mesquita durante 14 horas. As facções rivais estavam armadas com cassetetes, facas e adagas.

Nesta sexta, ativistas islâmicos revistaram fiéis que chegavam para as preces na mesquita de Al Qaid Ibrahim e a tropa de choque da polícia se instalou nos arredores. "Nossa revolução vai se manter pacífica apesar dos bandidos", diziam cartazes no local, aludindo ao incidente da semana passada.

Os confrontos políticos no Egito deixaram ao menos oito mortos nas últimas semanas. A oposição, que fez campanha pelo "não" no referendo , disse que a nova Constituição dá um viés excessivamente islâmico ao novo Egito.

Novas manifestações foram convocadas também para o sábado, durante a segunda parte do referendo. Por causa disso, cerca de 120 mil solados vão dar apoio à polícia para garantir a segurança nos locais de votação.

No primeiro dia da votação, no sábado passado, o "sim" à nova Carta teve 57% dos votos . Votaram metade dos 51 milhões de eleitores egípcios, incluindo habitantes das três maiores cidades do Canal de Suez, Port Said, Ismailia e Suez, da cidade turística de Luxor, além do Cairo e Alexandria. O comparecimento nas urnas, entretanto, foi de 30%.

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O resultado pelo "sim" deve ser ainda mais expressivo neste sábado, quando a votação ocorrerá em áreas mais conservadoras, e portanto mais propensas a apoiar Morsi. Apesar disso, a frágil vitória do "sim" na última semana e a baixa participação no referendo constitui um fracasso político para o presidente egípcio.

A aprovação da Constituição é um pré-requisito para a realização de novas eleições parlamentares no começo do ano que vem. A oposição diz que, se for derrotada no referendo constitucional, vai se esforçar para eleger uma bancada expressiva para fazer emendas à nova Constituição

O referendo ocorre também em um contexto de crise econômica. A incerteza política levou o governo a adiar o pedido de um empréstimo de US$ 4,8 bilhões do Fundo Monetário Internacional (FMI) e adiar também um aumento de impostos planejado para evitar novos protestos.

Em uma mensagem divulgada durante a noite na internet, Mohamed ElBaradei, o líder da Frente de Salvação Nacional (FSN), a principal coalizão de oposição, disse que "o país está à beira da falência".

Com Reuters e AFP

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