ONU alerta para conflito sectário na Síria

Guerra no país se tornou uma batalha entre alauítas e sunitas; segundo ONG, conflito deixa 44 mil mortos em 21 meses

iG São Paulo | - Atualizada às

A guerra na Síria se tornou um conflito sectário, colocando cada vez mais a comunidade alauíta (ramo do xiismo), atualmente no poder, contra a maioria sunita, com combatentes estrangeiros ajudando ambos os lados, disseram investigadores de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quinta-feira (20).

"Conforme as batalhas entre as forças governamentais e grupos armados contrário ao governo chegam perto do fim de seu segundo ano, o conflito se tornou abertamente sectário em sua natureza", disseram os investigadores independentes, liderados pelo especialista brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, em seu relatório mais recente, de 10 páginas.

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AP
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De acordo com o documento, os ataques são "desproporcionais", com as forças do governo de Bashar al-Assad aumentando o uso de bombardeios aéreos e ataques em hospitais. A condução nos dois lados do conflito "é cada vez mais em violação à lei internacional", acrescenta o relatório.

"Sentindo-se ameaçadas e sob ataque, minorias étnicas e religiosas têm cada vez mais se alinhado com partes do conflito, aprofundando as divisões sectárias", afirma o relatório.

A maioria dos "combatentes estrangeiros" que entram na Síria para se juntar a grupos rebeldes, ou para lutar de forma independente com eles, são sunitas de outros países do Oriente Médio e do norte da África, disseram os investigadores da ONU, que elaboraram seu relatório após realizar entrevistas na região.

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O relatório da ONU compreende o período entre 28 de setembro e 16 de dezembro. O grupo xiita libanês Hezbollah confirmou que seus membros estão na Síria combatendo ao lado do governo. Também há informações de que xiitas iraquianos também estão combatendo na Síria e o Irã confirmou em setembro que suas Guardas Revolucionárias estão dando ajuda à Síria.

Mortes

O relatório da ONU é divulgado no mesmo dia em que o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) informou que aumentou o número de mortos no conflito sírio. Segundo a organização, sediada no Reino Unido, foram 44 mil mortes, incluindo 30 mil civis, em 21 meses.

A ONG precisou que ao menos 30.819 civis morreram desde 15 de março de 2011. "Milhares de vítimas contadas como civis são rebeldes", disse Rami Abdel Rahman, diretor do OSDH.

O número de soldados mortos chega a 10.978 e o de desertores caídos, a 1.482, acrescentou o OSDH, que recolhe suas informações com militantes e fontes médicas na Síria. "É preciso acrescentar outras 784 pessoas mortas cuja identidade não foi estabelecida", disse o presidente do OSDH, estabelecendo o número exato de óbitos após 21 meses de guerra em 44.063.

O relatório do OSDH não inclui as milhares de pessoas desaparecidas ou mortas dentro das fileiras dos "chabiha", milicianos pró-regime.

Com Reuters e AFP

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