Relatório dos EUA aponta falhas de segurança em consulado alvo de ataque

Três funcionários do Departamento de Estado renunciam após documento criticar erros antes de ataque que matou quatro americanos, incluindo embaixador, na Líbia em setembro

iG São Paulo |

Um relatório oficial divulgado na terça-feira critica o Departamento de Estado pelas falhas de segurança no Consulado dos EUA em Benghazi, que em 11 de setembro foi alvo de um ataque de islamistas que mataram quatro americanos, incluindo o embaixador americano na Líbia. O relatório é fruto do trabalho de três meses de uma comissão independente, o Comitê de Revisão (ARB) da ação do governo dos EUA, criado pela administração da secretária de Estado Hillary Clinton .

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AP
Manifestante é visto em frente ao consulado dos EUA na Líbia (11/09)

EUA: Participação de terroristas na morte de embaixador é 'evidente'

Sob pressão do documento, três funcionários do Departamento de Estado renunciaram nesta quarta-feira a seus cargos, segundo a agência Associated Press. Eric Boswell, secretário-assistente de Estado para segurança diplomática, e Charlene Lamb, o vice-secretário-assistente responsável pela segurança da embaixada, renunciaram. A terceira pessoa, que não foi identificada, trabalhava com o Birô de Questões do Oriente Próximo, indicou a AP.

O documento conclui também que os serviços de inteligência americanos não tinham, antes do ataque, "nenhuma informação imediata e específica" sobre uma ameaça terrorista contra o consulado.

O relatório, cuja parte "não confidencial" foi publicado pelo Departamento de Estado, critica as "falhas e deficiências dos serviços do Departamento de Estado, que indicam a necessidade da implementação de um dispositivo de segurança no consulado em Benghazi, que foi amplamente inadequado para enfrentar o ataque" de 11 de setembro.

Os EUA enviarão centenas de fuzileiros para reforçar a proteção de suas sedes diplomáticas, informou Hillary em mensagem enviada ao Congresso juntamente com o relatório. O ataque, lançado com explosivos e armas de guerra por militantes islamitas ligados à Al-Qaeda, matou o embaixador Christopher Stevens e três agentes americanos.

Hillary declarou em outubro que assumia a responsabilidade pela gestão e consequências do ataque, que provocou uma tempestade política entre o governo democrata e a oposição republicana antes da reeleição de Obama .

Em duas cartas enviada às Comissões das Relações Exteriores da Câmara de Representantes e do Senado, Hillary escreve que aceita "cada uma" das 29 recomendações formuladas pelo ARB. Nesta quarta e quinta-feiras, as comissões receberão funcionários do Departamento de Estado e do Pentágono para ouvir sua versão sobre os acontecimentos em Benghazi.

A chefe da diplomacia deveria falar na quinta para a Comissão de Relações Exteriores da Câmara de Representantes (maioria republicana) e do Senado (maioria democrata), mas prossegue em repouso após uma concussão cerebral sofrida na semana passada.

Hillary será substituída pelos adjuntos William Burns e Thomas Nides. Os presidentes do ARB, o diplomata Thomas Pickering e o almirante Mike Mullen, prestam depoimento nesta quarta-feira.

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