Novo procurador-geral apresenta renúncia no Egito

Ibrahim Abdullah havia sido nomeado para o cargo no dia 22, quando presidente exonerou antigo procurador-geral e emitiu decreto de superpoderes, desatando protestos da oposição

AFP |

AFP

O novo procurador-geral do Egito, Talaat Ibrahim Abdullah, cuja nomeação pelo presidente Mohhammed Morsi foi contestada, apresentou sua renúncia nesta segunda-feira, disse uma fonte judicial.

Segunda rodada: Oposição do Egito convoca protestos contra Constituição

AP
Manifestante prende suas mãos com correntes durante protesto na Praça Tahrir, no Cairo

"O procurador-geral apresentou sua demissão diante da pressão de manifestações" de membros do ministério público que exigiram sua saída, disse a fonte, afirmando que a demissão será apresentada ao Conselho Supremo de Justiça.

Em sua carta de demissão, publicada pela agência oficial Mena,Talaat Abdullah indica que "voltará a seu trabalho na Justiça".

Centenas de membros do ministério público realizaram nesta segunda-feira um protesto de várias horas diante do gabinete do procurador-geral para exigir sua saída.

Em 22 de novembro, Morsi exonerou o então procurador-geral Abdel Meguid Mahmoud, nomeado pelo presidente deposto Hosni Mubarak , e o substituiu por Abdullah, após um decreto atribuindo poderes especiais à presidência .

Sob pressão:  Presidente do Egito anula decreto para superpoderes

A decisão de Morsi irritou o Poder Judiciário, que denunciou um ataque contra sua independência. O presidente acabou suspendendo o decreto, mas Talaat Abdullah permaneceu no cargo.

Em meio à persistente tensão entre Morsi e o Poder Judiciário, o Clube dos Juízes do Conselho de Estado anunciou nesta segunda-feira o boicote à segunda etapa do referendo sobre o projeto de Constituição. No Egito, o referendo exige a supervisão judicial para ter validade.

O Clube dos Juízes, outro sindicato profissional representando os magistrados egípcios, também anunciou sua decisão de boicotar a segunda fase do referendo.

A oposição afirma que a Constituição proposta por Morsi abre as portas para interpretações rigorosas do islamismo e restringe liberdades básicas.

Para os defensores do projeto, o texto dará ao país um quadro institucional estável, um argumento sedutor para os vários egípcios inquietos após quase dois anos de transição governamental.

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG