Rússia admite que Assad pode sofrer derrota da oposição na Síria

Aliado mais importante do regime, Rússia declara pela primeira vez que presidente sírio está perdendo o controle do país no conflito que dura 21 meses

iG São Paulo | - Atualizada às

O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia afirmou nesta quinta-feira (13) que o presidente da Síria, Bashar al-Assad, está perdendo o controle de seu país e que os rebeldes podem vencer o conflito, que já dura 21 meses. É a primeira vez que uma autoridade da Rússia, um dos principais aliados do regime sírio, reconhece que Assad enfrenta uma provável derrota.

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Mikhail Bogdanov (3º dir.) admitiu pela primeira vez que Assad pode sofrer uma derrota (foto de arquivo)


Apesar de Mikhail Bogdanov não ter dado qualquer sinal imediato de que a Rússia passe a apoiar as sanções internacionais contra o regime sírio, sua declaração, publicada pelas agências estatais russas, parecem indicar que Moscou começa a defender uma mudança na Síria.

"Precisamos considerar os fatos: há uma tendência indicando que o governo vai, progressivamente, perder o controle sobre uma crescente parte do território", disse Bogdanov durante audiência na Câmara Pública. "A vitória da oposição não pode ser descartada."

Posteriormente, a mesma ideia foi levantada pelo secretário-geral da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Anders Fogh Rasmussen, que disse o governo de Assad está próximo do colapso, acrescentando que o líder sírio deve "iniciar um processo para acomodar as legítimas aspirações do povo sírio".

Apesar de reconhecer o enfraquecimento do regime sírio, o vice-chanceler russo repetiu o pedido da Rússia por compromisso, acrescentando que levaria muito tempo para a oposição conseguir derrotar o governo e o país sofreria muitas perdas humanas.

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"A luta se tornará ainda mais intensa, e vocês vão perder dezenas de milhares, e, talvez, centenas de milhares de pessoas", disse. "Se tal preço pela saída de um presidente parece aceitável para vocês, o que poderemos fazer? Nós, com certeza, consideramos absolutamente inaceitável."

Rússia, assim como a China, vetou no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) o projeto de resolução que imporia sanções ao regime de Assad por causa da repressão sangrenta durante a revolta, que começou em março de 2011. Moscou também continuou a vender armas a Damasco, apesar das críticas da comunidade internacional.

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Também nesta quinta, uma explosão de bomba perto de uma escola em um subúrbio de Damasco deixou ao menos 16 mortos, mais da metade mulheres e crianças, informou a agência estatal síria. Segundo o governo, as explosões que têm ocorrido recentemente são obras dos rebeldes.

Segundo a agência Sana, um carro repleto de bombas explodiu perto de uma escola em uma área residencial do subúrbio da Qatana. De acordo com médicos ouvidos pela agência, 16 foram mortos, incluindo sete crianças e "um número" de mulheres. Cerca de 20 ficaram feridos.

Com AP e AFP

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