Segundo autoridades americanas, uso de mísseis dentro de próprias fronteiras é mostra de desespero de regime de Assad; ataque na capital deixa ao menos cinco mortos

Forças do governo da Síria dispararam mísseis Scud contra rebeldes em dias recentes, em uma escalada do conflito de 20 meses contra opositores que tentam depor o regime de Bashar al-Assad, disseram autoridades americanas nesta quarta-feira.

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Menino sírio é visto entre dois homens enquanto aguardam em padaria de Maaret Misreen, perto de Idlib
AP
Menino sírio é visto entre dois homens enquanto aguardam em padaria de Maaret Misreen, perto de Idlib

Sob condição de anonimato, dois oficiais disseram que as forças de Assad dispararam os mísseis a partir da área de Damasco em direção ao norte da Síria. Uma das fontes estimou que o número de projéteis disparados seria superior a dez, confirmando detalhes primeiramente reportados pelo jornal The New York Times.

A informação sobre os Scuds surgiu no mesmo dia em que mais de cem países, incluindo os EUA, reconheceram uma nova coalizão da oposição síria , isolando ainda mais o regime e abrindo caminho para uma maior assistência humanitária para as forças que tentam depô-lo.

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Também nesta quarta-feira, a explosão de três bombas derrubou muros do prédio do Ministério do Interior sírio em Damasco, deixando ao menos cinco mortos e 23 feridos, segundo uma declaração do governo. Já segundo o opositor Observatório Sírio para os Direitos Humanos, o ataque, que mostra a aproximação dos opositores à capital - símbolo de poder de Assad, deixou oito mortos e mais de 40 feridos.

O ministério fica em Kafar Souseh, uma área da capital síria que faz fronteira com a praça Ummayad, no centro, e é disputada entre rebeldes e forças leais a Assad.

Em relação aos Scuds, uma autoridade disse não haver indicações de que armas químicas estavam a bordo deles. Durante a última semana, oficiais afirmaram temer que os avanços dos rebeldes fizessem Assad considerar usar armas químicas .

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A porta-voz do Departamento de Estado americano, Victoria Nuland, disse que Assad fez os lançamentos, mas não especificou de qual tipo. "À medida que o regime se torna cada vez mais desesperado, o vemos recorrendo a iniciativas mais letais e a armas mais fortes, e em dias recentes vimos o posicionamento de mísseis."

O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, disse não poder confirmar as informações, acrescentando que, se verdadeiras, seriam um sinal de desespero. "A ideia de que o regime sírio lançaria mísseis dentro de suas fronteiras, contra sua própria população, é uma medida impressionante, desesperada e uma escalada militar completamente desproporcional."

Foto de 10/12 mostra militante do Exército Livre da Síria durante confrontos com forças de governo em Aleppo, Síria
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Foto de 10/12 mostra militante do Exército Livre da Síria durante confrontos com forças de governo em Aleppo, Síria

Os rebeldes conseguiram alguns ganhos nos arredores de Damasco recentemente, mas contaram com ataques e bombas no centro da cidade, muitas vezes em prédios públicos ou áreas de segurança leais a Assad, como Jaramana, onde bombas deixaram 34 mortos em novembro.

Um ataque a bomba em 18 de julho, que matou quatro dos assessores mais próximos de Assad , incluindo seu temido cunhado Assef Shawkat, foi logo seguido por um avanço de insurgentes, que mais tarde tiveram de recuar na cidade.

*Com Reuters e AP

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