Horas depois de declaração de presidente dos EUA, mais de cem países também reconhecem Conselho de Oposição Síria durante encontro sobre conflito no Marrocos

O presidente dos EUA, Barack Obama, declarou o principal grupo de oposição da Síria como o único "representante legítimo" da população do país árabe, caracterizando a medida como "um grande passo" nos esforços diplomáticos internacionais para pôr fim ao regime de Bashar al-Assad.

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Foto de 10/12 mostra militante do Exército Livre da Síria durante confrontos com forças de governo em Aleppo, Síria
AP
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Obama disse que o recentemente formado Conselho da Oposição Síria "é agora suficientemente inclusivo" para alcançar o status, que abre caminho para o maior apoio dos EUA para a organização. Ao reconhecimento devem em breve se seguir promessas de mais ajuda humanitária e apoio logísitico não-letal à oposição.

"Obviamente, com esse reconhecimento vem as responsabilidades", disse Obama em uma entrevista com a ABC News na terça-feira. "Para ter certeza de que o grupo se organize efetivamente, represente todos as partes, comprometa-se com uma transição política que respeite os direitos das mulheres e das minorias."

O reconhecimento do conselho como o único representante da diversa população síria faz com que os EUA fiquem na mesma posição que o Reino Unido , a França e diversos aliados árabes de Washington, que tomaram a mesma decisão logo depois que o órgão foi criado em um encontro entre representantes da oposição no Catar no mês passado.

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Horas depois do anúncio de Obama, 114 países reconheceram a nova coalizão opositora, abrindo caminho para mais assistência humanitária para as forças que combatem Assad e possivelmente até auxílio militar, disse o chanceler francês, Laurent Fabius, durante a conferência "Amigos da População Síria" em Marrocos.

O reconhecimento de Obama se segue à inclusão do grupo militante rebelde sírio Jabhat al-Nusra (Frente de Apoio, em árabe), com vínculos com a Al-Qaeda, na lista de organizações terroristas. A medida tem o objetivo de diminuir a influência de extremistas em meio aos temores de que o regime pode usar ou perder o controle de seu estoque de armas químicas .

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O secretário americano da Defesa, Leon Panetta, disse na terça-feira que o governo sírio parece ter desacelerado os preparativos para o possível uso de armas químicas contra as forças rebeldes. Na semana passada, autoridades dos EUA disseram que tinham evidências de que as forças sírias começaram a preparar o sarin, um agente neurológico, para possível uso em bombas.

O conflito na Síria começou há 20 meses como um levante contra Assad, cuja família governa o país há quatro décadas. A mobilização popular rapidamente se transformou em uma guerra civil, com os rebeldes recorrendo a armas para retaliar uma repressão sangrenta do regime. De acordo com ativistas, a violência deixou ao menos 40 mil mortos desde março de 2011.

*Com AP

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