Refugiados sírios superam marca de meio milhão, diz ONU

Turquia, Líbano, Jordânia e Iraque são os principais destinos dos sírios que fogem do país imerso em conflito há 21 meses; rebeldes islâmicos tomam controle total de base em Aleppo

iG São Paulo |

O número de refugiados sírios nos países que fazem fronteira com a Síria e no norte da África passou de meio milhão, informou nesta terça-feira (11), em Genebra, o Alto Comissariado da ONU para refugiados (ACNUR).

Segundo o comunicado da ACNUR, dos 509.559 sírios, 425.160 já estão registrados e os outros estão em processo. Os sírios se refugiaram sobretudo na Turquia, Líbano, Jordânia e Iraque, e a cada dia chegam mais de 3,2 mil a estes países. Apenas nas últimas duas noites, mil sírios cruzaram a fronteira para a Jordânia.

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AP
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Atualmente, o Líbano abriga 154.387 refugiados sírios registrados que fugiram do conflito. A Jordânia tem 142.664; a Turquia, 136.319; o Iraque, 65.449; e o norte da África, 11.740. "Ao contrário do que se acredita, apenas 40% dos refugiados sírios registrados vivem nos campos de refugiados, a maioria vive fora dos campos, muitas vezes alugam quartos em casas de famílias ou em diversas residências coletivas", informou o comunicado. No Líbano e nos países do norte africano, por exemplo, "não há campos".

Na Jordânia, apenas 24% vivem em campos, enquanto no Iraque esse número chega a 50%. Na Turquia, todos os refugiados vivem em campos. Atualmente, há 14 campos na Turquia, enquanto no Iraque e na Jordânia tem três em cada país.

A revolta popular na Síria, que começou com protestos pacíficos contra o regime de Assad em março de 2011 no conjunto da Primavera Árabe , escalonou para uma guerra civil entre as tropas do governo e o Exército da oposição, que, segundo ativistas, deixou mais de 400 mil mortos.

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Nesta terça, rebeldes apoiados por combatentes fundamentalistas islâmicos tomaram o controle total de uma importante base militar a oeste da cidade de Aleppo, no norte do país. No domingo (9), após intensos combates, eles haviam conquistado parte da base Sheik Suleiman , e hoje, a disputa acabou quando os rebeldes tomaram o principal complexo e armazéns que abrigavam um centro de pesquisa militar.

De acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, organização com sede no Reino Unido, 35 soldados do governo de Assad foram mortos no combate. Esta é a segunda base importante do norte que passou para o controle dos rebeldes, que tem avançado na região nas últimas semanas. Segundo o Observatório, combatentes de grupos jihadistas, como o Jabhar al-Nusra, acusado de ter ligação com a Al-Qaeda, estão entre os rebeldes que ocupam a base.

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A presença de grupos jihadistas entre os rebeldes tem aumentado a preocupação dos Estados Unidos e de outros países, que apoiam a oposição síria, mas não querem que os extremistas ganhem poder na região.

Os EUA anunciaram nesta terça-feira sanções financeiras contra dois líderes da al-Nusra. O Departamento do Tesouro informou em um comunicado que acrescentou os nomes de Maysar Ali Moussa Abdallah al-Juburi e de Anas Hassan Khatab em sua lista negra, o que congela, de fato, os ativos que ambos possam ter nos EUA e torna passíveis de sofrer processos criminais os cidadãos que estabelecerem vínculos comerciais com eles.

O departamento acrescenta no comunicado que esta decisão foi tomada após a caracterização do grupo como organização terrorista por parte do Departamento de Estado. O Tesouro também indica que incluiu em sua lista negra os "shabilas" e o Jais al-Shabbi (Exército dos shabilas), duas milícias que atuam em nome de Assad.

Coalizão pró-rebeldes

O Reino Unido integra uma coalizão internacional que planeja treinar os rebeldes e dar apoio aéreo e naval aos insurgentes, informou nesta terça o site do jornal britânico The Independent .

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Rebeldes dizem ter capturado base militar em província no leste da Síria

AP
Rebelde do Exército Livre Sírio se posiciona perto de base militar em Azaz, na Síria


O general David Richards, comandante das forças armadas, conversou recentemente em Londres, segundo a publicação, com chefes militares de França, Jordânia, Turquia, Catar e Emirados Árabes, além de um general americano.

Reino Unido, França e EUA têm manifestado sua rejeição de intervir no solo sírio, o que indica que a Turquia acolherá os campos de treinamento dos rebeldes. O Ministério da Defesa britânico não confirmou esta informação e repetiu a mensagem de uma solução diplomática para a crise síria, mas confirmou contatos com os comandantes militares de alguns países.

"Procuramos uma solução diplomática para a crise na Síria visando ao fim da violência e um processo verdadeiro de transição política", afirmou um porta-voz do ministério, admitindo que "na ausência de uma solução política, não excluímos qualquer opção com base no direito internacional para salvar inocentes na Síria".

Com Reuters, AFP e AP

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