Partidários e adversários do presidente egípcio protestam no Cairo

Opositores se concentram em frente ao palácio presidencial, enquanto partidários de Morsi estão na Praça Tahrir; Ministério das Finanças anuncia que empréstimo do FMI foi adiado

iG São Paulo |

Milhares de partidários e adversários do presidente do Egito, Mohammed Morsi, protestaram nesta terça-feira (11) nas ruas de Cairo em meio a um acirramento das tensões no país, com a aproximação de um polêmico referendo para aprovar um projeto de Constituição , marcado para sábado (15).

Coalizões rivais convocaram passeatas , uma islamita, que apoia o referendo, e outra liberal e de esquerda, que exige a anulação desta consulta eleitoral. Cerca de 200 manifestantes opositores conseguiram atravessar uma barreira do lado de fora do palácio presidencial, mas não há registros de confrontos.

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AP
Manifestantes contrários ao presidente Mohammed Morsi se reúnem em frente ao palácio presidencial, sob a guarda do Exército


Quatro passeatas separadas da oposição se encontrarão em frente ao palácio presidencial, que foi cercada com blocos de concreto e tanques. Centenas de soldados também estão colocados no perímetro. Enquanto isso, os partidários de Morsi se reúnem na Praça Tahrir. Também devem ocorrer protestos nas cidades de Alexandria e Assiut.

Mais cedo, homens mascarados e armados atacaram manifestantes da oposição que estavam acampados na Praça Tahrir. Segundo autoridades da segurança do país, que não quiseram se identificar, o ataque deixou nove feridos.

Sob pressão: Presidente do Egito anula decreto para superpoderes

Um decreto presidencial de 22 de novembro, que ampliava os poderes do presidente, provocou uma onda de manifestações no país. Logo depois, ele foi anulado . Na quarta-feira passada, os confrontos entre os partidários e adversários de Morsi deixaram pelo menos seis mortos no Cairo.

Na segunda-feira, Morsi concedeu poderes policiais ao Exército  até o anúncio no sábado do resultado do referendo constitucional. Com este decreto, o Exército tem a autoridade para prender civis, uma prerrogativa muito criticada durante o período em que os militares governaram o Egito, após a queda de Hosni Mubarak , em 2011, até a eleição de Morsi , em junho de 2012.

Desde quinta-feira, os tanques e as forças militares estão mobilizados nos arredores do palácio presidencial no Cairo, mas não agiram contra os milhares de manifestantes no local até o momento. Apesar dos protestos, Morsi decidiu seguir adiante com o referendo, que, segundo o presidente, é a garantia para seguir com a transição política após 30 anos de regime autocrático de Mubarak.

Nos últimos dias, alguns dos manifestantes da oposição não apenas pediram a anulação do decreto e do referendo, mas também a renúncia do presidente. "Adiar o referendo para daqui a dois meses solucionaria muitos problemas. Isso nos permitiria examinar novamente alguns artigos e daria à sociedade a oportunidade de estudá-lo e dar sua opinião", considerou o ex-secretário-geral da Liga Árabe e integrante do FSN Amr Moussa.

Também nesta terça-feira, a agência oficial de notícias do país, Mena, informou que um porta-voz das Forças Armadas negara que o ministro da Defesa havia convidado políticos para um diálogo no intuito de resolver esta crise política, a pior desde a queda de Mubarak. O porta-voz, entretanto, não foi identificano pela agência.

Mais cedo, a Mena publicou que Abdel-Fattah el-Sissi havia pedido um diálogo nacional na quarta-feira, três dias antes do referendo. No início da semana, o Exército fez um alerta para desastrosas consequências , caso a crise sobre o projeto da Constituição não se resolva.

Crise financeira

Nesta terça-feira, o ministro das Finanças egípcio anunciou que um empréstimo vital de US$ 4,8 bilhões do Fundo Monetário Internacional (FMI) ao Egito será adiado para até o mês que vem, o que agrava a crise política e econômica do país.

Mumtaz al-Said afirmou que o atraso do empréstimo se destinava a ganhar tempo para explicar as medidas do pacote de austeridade econômica ao povo egípcio.

O anúncio foi feito depois que o presidente Mohamed Mursi recuou, na segunda-feira, de seus planos de aumentar os impostos, considerados chave para a obtenção do empréstimo. Os grupos da oposição criticaram duramente o pacote fiscal, que inclui taxações sobre bebidas alcoólicas, cigarros e uma série de bens e serviços.

"É claro que o adiamento terá algum impacto econômico, mas estamos discutindo as medidas necessárias (para lidar com isso) durante o próximo período", disse o ministro à Reuters. E acrescentou: "Estou otimista... tudo ficará bem, se Deus quiser."

O primeiro-ministro Hisham Kandil disse que o Egito solicitou o adiamento do empréstimo por um mês. "Os desafios são econômicos e não políticos e precisam ser lidados em separado da política", afirmou ele em uma entrevista coletiva.

Kandil disse que as reformas não afetarão os pobres. Pão, açúcar e arroz não serão atingidos, mas o cigarro e o óleo de cozinha subirão e serão impostas multas para quem jogar lixo na rua. Na tentativa de reconstruir um consenso, ele disse que haverá um diálogo nacional sobre o programa econômico na semana que vem.

Em Washington, o FMI informou que o Egito solicitou o adiamento do empréstimo "à luz dos acontecimentos que se desenvolvem no local". O Fundo mantinha-se pronto para consultas com o Egito na retomada das discussões sobre o empréstimo congelado, afirmou uma porta-voz.

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