Rebeldes capturam parte de base do Exército sírio a oeste de Aleppo

Segundo ativistas, maior parte dos rebeldes faz parte de grupos fundamentalistas islâmicos; general desertor disse em entrevista que regime de Assad está 'acabado'

iG São Paulo |

Rebeldes sírios capturaram nesta segunda-feira (10) parte de uma base importante do Exército localizada a oeste da cidade de Aleppo, aumentando a influência da oposição ao regime de Bashar al-Assad em áreas próximas da fronteira com a Turquia.

Essa vitória dos rebeldes ocorre ao mesmo tempo em que a União Europeia (UE) fez denúncias sobre o conflito na Síria, que, segundo ativistas, deixou mais de 40 mil mortos em 21 meses.

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AP
Rebelde sírio reza ao lado de um pôster destruído do presidente Bashar al-Assad em Aleppo (8/12)


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"A situação atual da Síria é uma mancha na consciência mundial e a comunidade internacional tem o dever moral de responder a isso", disso o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, durante cerimônia em que a UE recebeu o Prêmio Nobel da Paz .

Na frente diplomática, os Amigos do Povo Sírio se preparam para uma reunião na quarta-feira no Marrocos, onde poderão reconhecer plenamente a coalizão opositora, e abordar a questão de ajuda humanitária com a chegada do inverno. Berlim anunciou a expulsão de quatro colaboradores da embaixada síria para mandar um "sinal claro de sua vontade de reduzir ao mínimo as relações com o regime de Assad".

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Segundo relatos de ativistas, os rebeldes também mataram 13 soldados em uma emboscada perto de um estratégico local que liga Aleppo, a maior cidade síria e polo de negócios, com Damasco, a capital, e capturaram 20 soldados e policiais em um posto localizado na estrada, que vai do centro de Salamiyeh até a cidade de Raqqa.

Inicialmente na defensiva, os rebeldes sírios apresentaram avanços nas últimas semanas, com um número considerável de bases aéreas capturadas próximas de Damasco e Aleppo, reduzindo o poder das forças de Assad.

Em entrevista ao canal Dubai TV , o principal desertor do Exército sírio disse que o regime de Assad está "acabado" e aconselhou o presidente a deixar seu cargo e permitir que o povo decida seu próprio destino. Manaf Tlass, um general sírio que foi o primeiro integrante do círculo próximo a Assad a se unir à oposição , disse que "estamos em um ponto de inflexão e o trem da revolução será vitorioso".

Tlass, que desertou em julho , disse que instou Assad a a ouvir as exigências populares e implementar reformas profundas. "Eu costumava conversar com o presidente quatro vezes por dia e eu costumava vê-lo em dias alternados. Eu tentei convencê-lo a reatar com os rebeldes. Ele sempre evitou responder e costumava chamá-los de gangues armadas", disse Tlass de Paris, onde tem passado a maior parte do tempo .

AFP
Foto de 22/07/1999 mostra Bashar al-Assad (E) com Manaf Tlass no Kuwait

"Eu disse a ele dezenas de vezes, e às vezes em voz alta que 'você deveria estar com seu povo' e ele não respondia", disse Tlass. "Está acabado. Eu o aconselhei a sair."

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O Observatório Sírio dos Direitos Humanos, organização com sede no Reino Unido, disse que os rebeldes entraram na base militar Sheik Suleiman, próxima a Aleppo, na tarde de domingo (9), após semanas de batalhas nas redondezas da instalação. No mês passado, eles capturaram outra base perto da cidade, a 46ª base do Regimento.

Rami Abdul-Rahman, que chefia o Observatório, disse que os rebeldes que ocuparam Sheik Suleiman pertencem a um grupo fundamentalista islâmico. Abdul-Rahman afirmou à agência Associated Press que combatentes de Jabhat al-Nusra, do Conselho Mujahedin Shura e do grupo Muhajirin participaram da batalha pela base.

Avanços da oposição:
Rebeldes sírios dizem ter capturado base a leste de Damasco
Rebeldes dizem ter capturado base militar em província no leste da Síria

Os grupos militantes islâmicos, que são formados por sírios e estrangeiros, estão entre os combatentes mais efetivos do lado rebelde na guerra civil do país. Entretanto, o Ocidente está desconfiado dos interesses destes grupos, uma vez que o Jabhat al-Nusra tem supostas ligações com a Al-Qaeda.

Abu Jalal, que chefia uma das poucas brigadas do Exército Sírio Livre que participaram do ataque, declarou à AFP: "Nós controlamos todas as bases e nenhuma arma química foi encontrada, nem mísseis antiaéreos".

O Observatório informou que os rebeldes capturaram setores importantes da base, que abriga o 111º Regimento, incluindo o seu centro de comando. Cerca de 140 soldados sírios fugiram para outra base, segundo Abdul-Rahman. Ele acrescentou que os combatentes da oposição capturaram sete militares do governo e mataram dois soldados durante confronto.

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Vídeos amadores divulgados por ativistas mostram homens armados caminhando dentro da base, carregando uma bandeira preta, identificada como pertencente a grupos islâmicos. A filmagem também mostra rebeldes dirigindo em um tanque capturado.

Os combates na Síria ficaram mais intensos nos últimos meses. A revolta, que começou com protestos pacíficos contra o regime de Assad em março de 2011 no conjunto da Primavera Árabe , escalonou para uma guerra civil . "Isso é o que capturamos do Exército de Assad", disse um rebelde no vídeo, carregando um rifle automático e um walkie-talkie.

Violência

O Observatório também afirmou que confrontos foram registrados nesta segunda-feira ao sul do reduto rebelde de Maaret al-Numan, retomado pelo governo em outubro. Segundo ativistas, rebeldes fizeram uma emboscada a uma unidade do Exército, matando 13 soldados.

O grupo afirmou que aviões de guerra sírios bombardearam a cidade após a morte dos soldados. "A cidade está testemunhando uma das piores batalhas em semanas", disse o ativista Mohammed Kanaan.

Ativistas também reportaram episódios de violência em outras áreas, incluindo a província de Deir el-Zour, localizada ao leste do país, na região central de Homs, bem como em vilarejos e cidades perto do Aeroporto Internacional de Damasco.

AP
Imagem reproduzida do canal de TV Shaam News mostra área próxima a Damasco alvo de bombardeio


Um residente de Damasco, que falou em condição de anonimato por temer represálias do governo, afirmou à AP que ouviu barulhos de tiros e explosões dentro e fora da capital nesta segunda-feira.

O Observatório informou que tropas lutaram com os rebeldes em bairros de Damasco, como Salhiyeh e Rukneddine, nos quais três foram mortos.

Com AP e AFP

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