Presidente do Egito amplia poderes do Exército até referendo

Decreto de Mohammed Morsi permite que militares realizem prisões de civis até que seja realizada a polêmica votação sobre a Constituição do país, em 15 de dezembro

iG São Paulo |

O presidente do Egito, Mohammed Morsi, ordenou que o Exército mantivesse a segurança e protegesse as instituições do Estado até que aconteça o referendo sobre o projeto da nova Constituição, um texto polêmico que divide o país Ele também concedeu aos militares poderes policiais, como o de efetuar prisões de civis.

"As Forças Armadas apoiam os serviços de polícia em total cooperação para manter a segurança e proteger as instalações vitais do Estado por um período temporário, até o anúncio do resultado do referendo sobre a Constituição", afirma um decreto publicado nesta segunda-feira no Diário Oficial.

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AP
Soldados fazem guarda em um tanque em frente ao palácio presidencial no Cairo (9/12)


Sob pressão: Presidente do Egito anula decreto para superpoderes

Em outra aparente concessão, o presidente suspendeu um aumento da taxa de impostos sobre produtos variados, como cigarros e cerveja.

Morsi vem tentando acalmar a revolta popular desde que anulou parcialmente um decreto que dava a ele superpoderes , mas, ainda assim, rejeitou cancelar um referendo constitucional , marcado para o dia 15 de dezembro. Líderes da oposição rejeitaram a votação e convocaram novos protestos para terça-feira . O ex-ministro das Relações Exteriores afirmou à rede britânica BBC que a oposição não planeja "derrubar o presidente", mas quer uma Constituição melhor.

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Grupos islâmicos anunciaram que realizarão manifestações em favor do presidente, o que aumenta o risco de uma batalha sangrenta nas ruas do Cairo. 

Enquanto a tensão se acirrava antes do referendo de sábado, Morsi ordenou que o Exército mantivesse a segurança "até o anúncio do resultado da votação". 

Sob o decreto presidencial, o Exército foi convocado a trabalhar junto à polícia para manter a segurança e também está autorizado a prender civis. O aumento da presença militar ficou visível na manhã desta segunda-feira (10) próximo ao palácio presidencial, que tem sido o foco de mobilizações da oposição. O Exército cercou a área com blocos de concreto.

Ainda não ficou claro se a oposição boicotará o referendo de sábado. Eles reclamam que o grupo que redigiu a Constituição é dominado por islâmicos aliados de Morsi.

Em um comunicado após reuniões no domingo, a Frente de Salvação Nacional disse que não reconheceria o projeto da Nova Constituição, "porque ele não representa o povo egípcio". "Nós rejeitamos o referendo, que certamente levará a mais divisão", disse o porta-voz sameh Ashour.

No domingo, centenas de manifestantes da oposição protestaram contra o referendo em frente ao palácio presidencial. Eles bradaram contra os islâmicos e carregaram cartazes com dizeres, como: "Morsi, controle seus bandidos" e "O povo exige a queda do regime".

O presidente afirmou que ele está tentando salvaguardar a revolução que derrubou Hosni Mubarak no ano passado, mas críticos o apontam como um ditador. Apesar do decreto, que impedia o Judiciário de desafiar qualquer uma de suas decisões, ter sido anulado, ele provocou sangrentos protestos e algumas de suas decisões não foram retiradas. O procurador-geral, que foi demitido, por exemplo, não foi reconduzido ao cargo.

O Exército, que comandou o Egito da queda de Mubarak, em fevereiro de 2011, até as eleições presidenciais de junho, quis permanecer neutro na crise das últimas semanas e fez um pedido de diálogo a todas as partes.

Com BBC e AFP

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