Pressionado por protestos, presidente do Egito anula decreto para superpoderes

Apesar da anulação do decreto, Mohammed Morsi mantém o referendo de 15 de dezembro sobre a proposta de nova Constituição

BBC Brasil | - Atualizada às

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O presidente do Egito, Mohammed Morsi, anunciou na noite deste sábado (8) a anulação do decreto que havia publicado no mês passado para expandir seus poderes. O decreto desencadeou  fortes protestos populares no país nas últimas semanas.

AP
Opositores vêm mantendo protestos constantes contra o governo de Morsi desde o dia 22 de novembro

O governo egípcio manteve, porém, o referendo programado para 15 de dezembro sobre a proposta de nova Constituição para o país.

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Os críticos de Morsi o haviam acusado de agir como um ditador, mas ele disse que estava resguardando a revolução. Ele afirmou que os poderes extraordinários eram necessários para promover as reformas necessárias no país. Desde que assumiu o poder, Morsi vinha mantendo disputas com o Judiciário.

Intervenção do Exército

Os simpatizantes do governo dizem que o Judiciário é formado por figuras reacionárias oriundas do antigo regime do presidente Hosni Mubarak , que governou o país de 1981 a 2011. Mas seus adversários vinham mantendo protestos constantes desde o dia 22 de novembro, quando o decreto foi anunciado.

Discurso: Sem fazer concessões, presidente do Egito oferece diálogo com a oposição 

Eles também protestavam contra o projeto de reforma constitucional por alegar que o processo estava dominado pelos islamistas aliados do presidente.

Uma aliança de grupos opositores, o Grupo de Salvação Nacional, pediu que Morsi não somente anule seu decreto quanto adie o referendo constitucional programado para a próxima semana.

A crise se aprofundou a tal ponto que o Exército, por muito tempo a força dominante na política egípcia, advertiu no sábado que interviria para impedir o Egito de entrar em "um túnel escuro".

Várias pessoas morreram na última onda de protestos contra o governo, e o palácio presidencial foi atacado. A sede da Irmandade Muçulmana, partido de Morsi, foi incendiada durante os protestos.

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