Após choques, tanques são posicionados ao redor de palácio presidencial do Egito

Exército retira manifestantes do local após violência deixar cinco mortos e mais de 600 feridos; mais três funcionários do governo renunciam

iG São Paulo |

Tanques do Exército do Egito foram posicionados em frente ao palácio presidencial no Cairo nesta quinta-feira, após violentos choques entre partidários e opositores do presidente Mohammed Morsi no local deixarem ao menos cinco mortos e mais de 600 feridos.

Militares começaram a retirar manifestantes do local e a maioria deixou o local antes do prazo estipulado (15h no horário local e 11 de Brasília), embora alguns ativistas da oposição ainda permaneçam nos arredores.

Leia também:  Partidários e opositores de presidente do Egito entram em choque

AP
Tanques e arame farpado são usados para reforçar a segurança perto do palácio presidencial egípcio no Cairo

A movimentação aconteceu enquanto mais renúncias atingiram o governo. O diretor de transmissão estatal renunciou nesta quinta, assim como Rafik Habib, um cristão que foi vice-presidente do Partido Liberdade e Justiça, da Irmandade Muçulmana. Suas partidas se seguem ao anúncio de Zaghoul el-Balshi, o novo secretário-geral da comissão que fiscaliza o referendo constitucional, de que deixava o governo.

“Não participarei em um referendo que derramou o sangue egípcio", disse em uma entrevista televisionada durante os confrontos da noite de quarta. Com as renúncias desta quinta-feira, nove funcionários do governo Morsi renunciaram nos últimos dias.

No início da manhã, seis tanques e dois veículos blindados da Guarda Revolucionária, unidade de elite responsável pela proteção do presidente, foram estacionados do lado de fora do palácio e nas ruas próximas.

O chefe da Guarda, Mohammed Zaki, buscou assegurar a população de que suas forças serão imparciais. "Não seremos uma ferramenta para reprimir manifestantes. Nenhum tipo de força será usada contra os egípcios", afirmou, em declaração à agência oficial Mena.

Grupos de oposição acusam Morsi de se apropriar ditatorialmente de amplos poderes por meio de um decreto para impor a nova Constituição , redigida por uma assembleia dominada por políticos islâmicos. A Constituição será promulgada se for aprovada num referendo na semana que vem.

Na quarta-feira, partidários e opositores trocaram ataques com pedras, paus e bombas em frente ao palácio. De acordo com o Ministério da Saúde, 644 foram feridos - alguns foram espancados, outros tiveram ferimentos a bala e outros inalaram gás lacrimogêneo. A violência também se espalhou para outras cidades, com confrontos em Suez, Ismailia e Mahallah.

A situação estava mais calma na manhã desta quinta-feira, com milhares de partidários de Morsi acampados em frente ao palácio após expulsarem opositores do local, que se esconderam em ruas próximas. Estes, por sua vez, convocaram novos protestos no local, levantando temores de novos enfrentamentos.

Na tentativa de conter a crise, Morsi deve fazer um discurso à nação nesta quinta-feira. De acordo com um assessor, o presidente pretende "estender a mão para a oposição e abrir o diálogo". "Há várias ideias sobre a mesa", afirmou.

Na quarta-feira, o vice-presidente do Egito, Mahmoud Mekki, afirmou que o referendo será realizado no dia 15, como planejado, apesar dos protestos que, segundo ele, não são a forma correta de solucionar a crise. "Há real vontade política de responder às demandas do público", afirmou. "A porta para o diálogo está aberta para aqueles que se opõem ao esboço da Constituição."

O esboço da nova Carta, aprovado às pressas, é acusado de não proteger alguns direitos fundamentais, incluindo a liberdade de expressão, e de abrir a porta para uma aplicação mais rigorosa da lei islâmica ( sharia ).

Com AP, AFP e Reuters

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