Ataque em escola mata dez na região de Damasco, diz Síria

Segundo mídia estatal, nove alunos e um professor morreram por queda de morteiro lançado por 'terroristas' em sala de aula nos arredores da capital

iG São Paulo |

Um morteiro atingiu uma sala de aula da 9ª série nos arredores de Damasco, deixando nove estudantes e um professor mortos, de acordo com a mídia estatal, em mais um sinal de que a guerra civil de 20 meses se aproxima cada vez mais do reduto de poder do presidente Bashar al-Assad. Os subúrbios da capital síria têm sido o principal cenário dos combates no país.

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Previamente, a agência de notícias estatal Sana informou que o ataque havia deixado 30 mortos, mas mais tarde revisou a informação e diminuiu o número de vítimas. Segundo a mídia estatal, o atentado era responsabilidade de terroristas, termo usado pelo regime para se referir a rebeldes que lutam para depor o governo.

O morteiro atingiu a escola al-Batiha no acampamento de al-Wafideen, cerca de 25 km a nordeste de Damasco, de acordo com a Sana. O acampamento abriga 25 mil desalojados das Colinas do Golan, ocupadas por Israel em 1967 e situadas a 20 km a noroeste de Damasco.

"Num crime horrível, nove alunos e um professor morreram atingidos por um morteiro disparado por terroristas numa escola do campo de al-Wafideen", indicou a emissora, que também informou que há cerca de 20 feridos. O opositor Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) também reportou o incidente.

De acordo com a OSDH, a revolta contra o regime de Assad deixou até agora mais de 41 mil mortos, em sua maioria civis.

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O ataque aconteceu no mesmo dia em que a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) aprovou planos para enviar baterias antimíssil Patriot para o sul da Turquia para fortalecer sua defesa contra ataques da vizinha Síria.

A expectativa é a de que Alemanha e Holanda forneçam baterias para os mísseis Patriot produzidos nos EUA. Os Parlamentos de ambos os países teriam de aprovar a medida após a votação favorável na Otan.

A medida pedida no dia 21 pelo governo turco foi aprovada durante um encontro dos 28 chanceleres da Aliança Atlântica em Bruxelas, Bélgica, e em meio a temores de que o regime de Damasco poderia usar armas químicas. O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, e o governo do presidente dos EUA, Barack Obama, disseram que uso desse tipo de armamento seria "completamente inaceitável".

Ao chegar à reunião em Bruxelas, o líder da Otan alertou que a comunidade internacional terá uma " reação imediata " caso o governo da Síria utilize armas químicas. A mesma advertência foi feita na segunda-feira pela secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e pelo porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, que disseram que os EUA tomariam medidas se o regime sírio de Bashar al-Assad usar essas armas.

Especula-se que o armamento poderia ser usado em resposta aos ganhos dramáticos obtidos por rebeldes que lutam para derrubar o regime.

A Síria reagiu às advertências dos EUA negando na segunda-feira ter planos de usar armas químicas contra seu próprio povo. "A Síria tem destacado repetidamente que não vai usar esses tipos de armas, se estivessem disponíveis, sob quaisquer circunstâncias contra seu povo", disse o Ministério de Relações Exteriores.

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