Síria nega plano de usar armas químicas

Declaração é feita após relatos de que armamento químico sírio foi deslocado e poderia ser usado em retaliação a avanço rebelde; EUA advertem contra uso de armas

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A Síria informou nesta segunda-feira que não usaria armas químicas contra seu próprio povo, depois que os EUA alertaram que tomariam medidas contra qualquer escalada desse tipo.

A declaração veio em meio a relatos da mídia, citando autoridades europeias e americanas, de que as armas químicas da Síria foram deslocadas e podem estar preparadas para uso em resposta aos ganhos dramáticos obtidos por rebeldes que lutam para derrubar o presidente Bashar al-Assad.

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"A Síria tem destacado repetidamente que não vai usar esses tipos de armas, se estivessem disponíveis, sob quaisquer circunstâncias contra seu povo", disse o Ministério de Relações Exteriores.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, havia avisado mais cedo que Washington tomaria medidas se a Síria usasse essas armas.

"Não vou delalhar as especificidades do que faremos em caso de provas críveis de que o regime de Assad pode recorrer ao uso de armas químicas contra seu próprio povo, mas basta dizer que certamente estamos planejando tomar medidas se isso acontecesse", afirmou durante uma visita a Praga nesta segunda-feira.

A oposição acredita que Assad, que elevou sua resposta aos ganhos rebeldes na revolta que já dura 20 meses, poderia recorrer a armas mais pesadas e alguns sugeriram que ele poderia usar armas químicas.

Os rebeldes começaram a avançar rapidamente nas últimas semanas, depois de meses de cercos lentos para cortar rotas do Exército e suprimentos.

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Nas últimas semanas, eles apreenderam várias bases militares em todo o país, um campo de petróleo e uma barragem hidrelétrica no nordeste. Rebeldes usam armas antiaéreas para atacar os helicópteros militares e aviões de combate que bombardearam as suas posições com impunidade até agora.

Bombardeio de Damasco

O foco principal do Exército nos últimos cinco dias tem sido Damasco, onde as forças de segurança estão confrontando os rebeldes com força e tentando isolar a capital dos subúrbios dominados por rebeldes.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, ligado à oposição, disse que o Exército sírio tentava tomar Daraya, nos arredores a sul de Damasco, e atacava rebeldes com foguetes à medida que avançava em algumas partes da cidade.

Uma fonte de segurança da Síria disse que o Exército havia bloqueado três entradas para Daraya e estava otimista de que poderia tomar a cidade. Rebeldes afirmaram que seriam capazes de manter sua posição.

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Outros ativistas relataram bombardeio pesado das cidades de Deir al-Asafir e Beit Saham, que estão perto da estrada que leva ao Aeroporto Internacional de Damasco, a cena de três dias de confrontos pesados que efetivamente fecharam o aeroporto.

A EgyptAir informou que havia retomado os voos após uma suspensão de três dias, dizendo que a situação em torno do aeroporto era agora estável. Todas as outras companhias aéreas contactadas disseram que seus voos permaneciam suspensos, citando preocupações por parte do pessoal local de que a estrada ainda era insegura.

O Observatório informou sobre bombardeios aéreos e de artilharia em várias cidades da Síria nesta segunda-feira. Um ataque aéreo sobre a cidade fronteiriça ao norte de Ras al-Ain, que deixou ao menos 12 mortos e mais de 30 feridos, levou a Turquia a enviar jatos de combate ao longo da fronteira.

Mais de 40 mil pessoas já morreram nos 20 meses de conflito, com mais centenas de mortos a cada semana.

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