Por segurança, ONU retira parte de seus funcionários da Síria

Até 25 dos cem integrantes da equipe internacional da organização devem deixar o país nesta semana em meio à situação 'extremamente difícil'

iG São Paulo |

A Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou nesta segunda-feira a retirada de todos os seus funcionários internacionais "não essenciais" da Síria por motivo de segurança. As viagens em campo para fora de Damasco também foram suspensas, exceto em caso de emergências.

De acordo com o coordenador humanitário regional da ONU, Radhouane Nouicer, até 25 dos cem funcionários internacionais da organização no país podem ser retirados nesta semana. "A situação de segurança se tornou extremamente difícil, inclusive em Damasco", disse Nouicer. "Enquanto a lei humanitária internacional não estiver sendo cumprida por todas as partes deste conflito e enquanto a segurança dos trabalhadores humanitários não for garantida, as agências da ONU precisarão revisar o tamanho de sua presença no país e a froam como distribuem ajuda."

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AP
Opositores do regime sírio carregam caixões de civil morto por ataque de forças leais a Assad em Homs

Oito funcionários da ONU foram mortos desde o início do conflito na Síria, em março de 2011. Além disso, também foram mortos 18 voluntários do Crescente Vermelho Árabe Sírio.

A semana passada foi violenta em Damasco, com o aeroporto fechado por dois dias e voos internacionais cancelados em meio a confrontos nos arredores. Serviços de internet também foram suspensos por dois dias.

Armas químicas

Também nesta segunda-feira, a Síria informou que não usaria armas químicas contra seu próprio povo , depois que os EUA alertaram que tomariam medidas contra qualquer escalada desse tipo.

A declaração veio em meio a relatos da mídia, citando autoridades europeias e americanas, de que as armas químicas da Síria foram deslocadas e podem estar preparadas para uso em resposta aos ganhos dramáticos obtidos por rebeldes que lutam para derrubar o presidente Bashar al-Assad.

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"A Síria tem destacado repetidamente que não vai usar esses tipos de armas, se estivessem disponíveis, sob quaisquer circunstâncias contra seu povo", disse o Ministério de Relações Exteriores.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, havia avisado mais cedo que Washington tomaria medidas se a Síria usasse essas armas.

"Não vou delalhar as especificidades do que faremos em caso de provas críveis de que o regime de Assad pode recorrer ao uso de armas químicas contra seu próprio povo, mas basta dizer que certamente estamos planejando tomar medidas se isso acontecesse", afirmou durante uma visita a Praga nesta segunda-feira.

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A oposição acredita que Assad, que elevou sua resposta aos ganhos rebeldes na revolta que já dura 20 meses, poderia recorrer a armas mais pesadas e alguns sugeriram que ele poderia usar armas químicas.

Os rebeldes começaram a avançar rapidamente nas últimas semanas, depois de meses de cercos lentos para cortar rotas do Exército e suprimentos.

Nas últimas semanas, eles apreenderam várias bases militares em todo o país, um campo de petróleo e uma barragem hidrelétrica no nordeste. Rebeldes usam armas antiaéreas para atacar os helicópteros militares e aviões de combate que bombardearam as suas posições com impunidade até agora.

Com Reuters, AP e BBC

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