EUA ameaçam agir contra uso de armas químicas por Síria

Advertência é feita por Hillary e Casa Branca após inteligência detectar movimentação desse tipo de armamento e mistura para produção de gás sarin por forças sírias

iG São Paulo |

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, advertiu nesta segunda-feira que os EUA tomariam medidas se o regime sírio de Bashar al-Assad usar armas químicas. A advertência foi feita após a inteligência dos EUA e de países aliados terem detectado que Damasco moveu componentes de armas químicas em dias recentes.

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AP
Opositores do regime sírio carregam caixões de civil morto por ataque de forças leais a Assad em Homs

ONU: Refugiados sírios podem chegar a 700 mil até o fim do ano

De acordo com uma autoridade graduada da área de Defesa, funcionários de inteligência detectaram atividade ao redor de mais de um local de armas químicas na Síria na semana passada.

Além disso, uma fonte dos EUA disse à rede de TV CNN que as forças sírias começaram a combinar elementos químicos que seriam usados para produzir o mortífero gás sarin. Especula-se que o armamento poderia ser usado em resposta aos ganhos dramáticos obtidos por rebeldes que lutam para derrubar o regime.

Durante uma visita a Praga, Hillary reiterou a declaração do presidente Barack Obama de que o uso desse tipo de armamento pela Síria representava cruzar uma " linha vermelha " para os EUA.

Agosto:  Obama diz que Síria cruzará 'linha vermelha' se usar armas químicas

"Não vou delalhar as especificidades do que faremos em caso de provas críveis de que o regime de Assad pode recorrer ao uso de armas químicas contra seu próprio povo, mas basta dizer que certamente estamos planejando tomar medidas se isso acontecesse", afirmou Hillary.

Mais tarde, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, afirmou que Washington prepara planos de contigência perante a perspectiva de que Damasco tem planos de usar armas químicas. Carney, porém, recusou-se a detalhar os planos de contingência.

Segundo o porta-voz, autoridades americanas estão monitorando de perto instalações e a proliferação de material sensível. "O mundo está observando" Assad, disse Carney, acrescentando que ele terá de pagar por suas ações.

A Síria reagiu às advertências negando ter planos de usar armas químicas contra seu próprio povo. "A Síria tem destacado repetidamente que não vai usar esses tipos de armas, se estivessem disponíveis, sob quaisquer circunstâncias contra seu povo", disse o Ministério de Relações Exteriores.

Reação: Em meio a rumores, Síria nega plano de usar armas químicas

A oposição acredita que Assad, que elevou sua resposta aos ganhos rebeldes na revolta que já dura 20 meses, poderia recorrer a armas mais pesadas e alguns sugeriram que ele poderia usar armas químicas.

AFP
Bombardeios destruíram prédios em Bastan al-Basha, região próxima a Aleppo (02/12)

Os rebeldes começaram a avançar rapidamente nas últimas semanas, depois de meses de cercos lentos para cortar rotas do Exército e suprimentos.

Nas últimas semanas, eles apreenderam várias bases militares em todo o país, um campo de petróleo e uma barragem hidrelétrica no nordeste. Rebeldes usam armas antiaéreas para atacar os helicópteros militares e aviões de combate que bombardearam as suas posições com impunidade até agora.

Retirada

Também nesta segunda-feira, a Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou a retirada de todos os seus funcionários internacionais "não essenciais" da Síria por motivo de segurança. As viagens em campo para fora de Damasco também foram suspensas, exceto em caso de emergências.

Medida de segurança:  ONU retira parte de seus funcionários da Síria

De acordo com o coordenador humanitário regional da ONU, Radhouane Nouicer, até 25 dos cem funcionários internacionais da organização no país podem ser retirados nesta semana. Oito funcionários da ONU foram mortos desde o início do conflito na Síria, em março de 2011. Além disso, também foram mortos 18 voluntários do Crescente Vermelho Árabe Sírio.

Com Reuters, AP e BBC

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