Assembleia egípcia corre para concluir nova Constituição

Governistas querem aprovar nova Carta antes de audiência da Corte Constitucional, marcada para domingo, que deve determinar dissolução da comissão

iG São Paulo |

A assembleia constituinte egípcia corre para concluir e aprovar a primeira versão da nova Constituição nesta quinta-feira, após a Corte Constitucional do país indicar a intenção de dissolver a assembleia ao julgar sua legitimidade em uma audiência marcada para domingo.

O grupo parlamentar é dominado pela Irmandade Muçulmana e outros políticos islâmicos que apoiam o presidente Mohammed Morsi, atualmente envolvido em uma disputa com o Judiciário por ter emitido um decreto que impede qualquer questionamento judicial de suas decisões.

Leia também:  Cortes egípcias suspendem trabalhos em protesto contra decreto

Reuters
No Cairo, ciclista passa por faixa que diz: "A Irmandade Muçulmana roubou o país"

O decreto também garante imunidade judicial à assembleia constituinte, bem como à câmara alta do Parlamento, que também é dominada por islâmicos aliados ao presidente.

A oposição não-islâmica boicota a assembleia constituinte, formada por 100 membros, por considerar que os políticos islâmicos estão tentando impor sua visão para o futuro do Egito. A legitimidade jurídica da assembleia já foi questionada em numerosos processos que solicitam sua dissolução. Sua legitimidade popular foi abalada pela retirada de liberais e cristãos.

A oposição acusou Morsi de se comportar como um "faraó" dos tempos modernos e uma onda de protestos tomou várias cidades do país, deixando dois mortos e centenas de feridos.

A Irmandade, grupo político ao qual Mursi pertence, espera substituir o decreto por uma Constituição inteiramente nova, a ser aprovada em referendo popular, disse à Reuters uma fonte da agremiação.

Trata-se de uma aposta baseada na crença dos políticos islâmicos de que conseguirão mobilizar votos suficientes para aprovar o referendo. Políticos da Irmandade venceram todas as eleições realizadas no Egito desde a rebelião popular que depôs o regime de Hosni Mubarak .

Mas a conclusão da nova Carta deve acirrar divisões que já estão sendo expostas nas ruas. A Irmandade e seus aliados islâmicos convocaram manifestações para o sábado na praça Tahrir, o que poderá causar confrontos com adversários do presidente.

Com Reuters e BBC

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG