Manifestantes protestam contra presidente do Egito na Praça Tahrir

Dezenas de milhares lotam centro do Cairo pelo quinto dia consecutivo em protesto contra decreto que dá amplos poderes ao líder Mohammed Morsi

iG São Paulo |

Dezenas de milhares de manifestantes lotaram a Praça Tahrir, no Cairo, nesta terça-feira, no quinto dia consecutivo de protestos contra o decreto que dá amplos poderes ao presidente Mohammed Morsi. Os manifestantes se uniram a centenas que acampam na região da praça desde sexta, reivindicando a revogação da medida.

Leia também: Presidente egípcio limita extensão de decreto após reunião com juízes

AP
Manifestantes e policiais entram em confronto perto da Praça Tahrir, no Cairo

Empunhando bandeiras, os manifestantes convocados por militantes da esquerda, liberais e grupos socialistas gritam slogans acusando o presidente islamita e a Irmandade Muçulmana de trair a revolta popular do início do ano passado que pôs fim ao governo de Hosni Mubarak  após uma onda de protestos cujo epicentro foi a Praça Tahrir.

"Não queremos uma ditadura de novo. O regime de Mubarak era uma ditadura. Tivemos uma revolução para ter justiça e liberdade", disse Ahmed Husseini, 32 anos, em referência ao ex-presidente.

Confrontos aconteceram entre centenas de jovens e a polícia, que lançou gás lacrimogêneo em um rua perto da praça que leva à embaixada dos EUA. Organizadores pediram aos manifestantes para não entrarem em confronto com as forças de segurança do Ministério do Interior.

O decreto emitido por Morsi na quinta-feira expande seus poderes e protege suas decisões de serem questionadas pela Justiça até as eleições para formação de um novo Parlamento, esperadas para o primeiro semestre de 2013.

A oposição acusou Morsi de se comportar como um "faraó" dos tempos modernos e uma onda de protestos tomou várias cidades do país. Um jovem ativista da Irmandade Muçulmana, grupo político de Morsi, morreu e centenas de manifestantes ficaram feridos.

AP
Manifestantes egípcios gritam palavras de ordem durante protesto na Praça Tahrir, Cairo

Na tentativa de acalmar os ânimos, Morsi concordou  na segunda-feira que apenas decisões relativas a "questões de soberania" fiquem imunes à revisão judicial, disse seu porta-voz, indicando que o líder islamita aceitou um compromisso proposto pelo Judiciário. Seus oponentes, porém, querem que ele anule a medida completamente.

Apesar da concessão referente aos poderes de Morsi, continuam em vigor os termos do decreto que garantem imunidade judicial a uma assembleia constituinte dominada por islâmicos, bem como à câmara alta do Parlamento, que é dominada por islâmicos aliados ao presidente.

Com Reuters e AP

    Leia tudo sobre: egitomorsimundo árabeprimavera árabeirmandade muçulmana

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG