Líder egípcio encontra juízes para tentar resolver crise causada por decreto

Segundo porta-voz, islamita Morsi aceita que apenas decisões relativas a 'questões de soberania' - e não a todas suas medidas - fiquem imunes à revisão judicial

iG São Paulo | - Atualizada às

O presidente do Egito, Mohammed Morsi, reuniu-se com juízes nesta segunda-feira para discutir o decreto que lhe dá " superpoderes " e provocou uma onda de protestos no país. No domingo, um adolescente morreu durante o ataque ao principal escritório da Irmandade Muçulmana, grupo político do líder, em Damanhour.

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Reuters
Manifestante tenta chutar gás lata de gás lacrimogêneo durante protesto no Cairo (25/11)

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De acordo com o porta-voz presidencial Yasser Ali, Morsi concordou que apenas decisões relativas a " questões de soberania " fiquem imunes à revisão judicial, indicando que o líder islamita aceitou um compromisso proposto pelo Judiciário para pôr fim a uma crise iniciada por um decreto emitido quinta-feira. O Judiciário, porém, ainda não confirmou o acordo.

Segundo Ali, Morsi explicou aos juízes do Conselho Supremo Judicial que os poderes excepcionais "irrevogáveis" envolvem unicamente temas relacionados "a seus poderes soberanos" e são temporários. O porta-voz também afirmou que Morsi está "muito otimista" de que os egípcios superarão a crise política do país.

No sábado, o Conselho afirmou, em comunicado, que o ato constitucional de Morsi é um " ataque sem precedentes " à independência do Judiciário, já que impede que os decretos, leis e decisões do presidente sejam questionadas na Justiça. O órgão é formado por juízes nomeados por Hosni Mubarak , que comandou o Egito por 30 anos e foi deposto após protestos populares.

No domingo, Morsi buscou acalmar a população, que sai às ruas em várias cidades desde sexta-feira, dizendo que a medida é temporária . Em comunicado, a presidência negou uma tentativa de concentrar poderes e disse que seu objetivo é evitar a politização do Judiciário e impedir qualquer tentativa de dissolver o Parlamento do Egito, dominado por islâmicos aliados de Morsi.

"A presidência salienta o seu firme compromisso de envolver todas as forças políticas no diálogo democrático para chegar a um terreno comum e reduzir a distância, a fim de chegar a um consenso nacional sobre a Constituição", acrescentou.

Também no domingo, um jovem integrante da Irmandade Muçulmana foi morto em um ataque ao principal escritório da Irmandade na cidade de Damanhour, no Delta do Nilo egípcio, disse o site do Partido da Justiça e Liberdade, ligado ao grupo.

"O membro da Irmandade, Islam Fathy Masoud, de 15 anos, foi morto e 60 ficaram feridos depois que marginais atacaram o quartel-general da Irmandade Muçulmana em Damanhour, na ausência total das forças policiais", disse o site.

Com BBC, AP, AFP e Reuters

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