Opositores de presidente egípcio atacam escritórios da Irmandade Muçulmana

Revoltados com novos poderes do líder Mohammed Morsi, egípcios entraram em confronto com partidários do governo em várias cidades

iG São Paulo | - Atualizada às

Opositores atacaram escritórios da Irmandade Muçulmana nesta sexta-feira no Egito, um dia depois de o presidente Mohammed Morsi  ampliar seus poderes com uma emenda constitucional que impede suas decisões de serem questionadas na Justiça. Em várias cidades, houve confronto entre grupos pró e contra o governo, que deixaram ao menos 15 feridos.

Revoltados com a medida anunciada na quinta-feira, opositores colocaram fogo em escritórios do Partido da Liberdade e da Justiça (PLJ), da Irmandade Muçulmana de Morsi, nas cidades de Suez, Port Said e Ismalia.

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AP
Pedras são atiradas durante confronto entre manifestantes pró e contra governo em Alexandria

Enquanto uma multidão se reunia para protestar contra o governo, partidários também saíram às ruas para demonstrar apoio ao líder. Os dois grupos entraram em choque em Assiut, Giza e Alexandriam - nesta última, opositores de Morsi atiraram pedras contra membros da Irmandade Muçulmana que estavam em frente a uma mesquita, além de invadirem um escritório do grupo.

No Cairo, milhares protestaram contra a emenda constitucional na Praça Tahrir, epicentro dos protestos que levaram à queda do ex-presidente Hosni Mubarak , a quem Morsi substituiu após ser eleito presidente este ano.

Com a medida anunciada na quin-ta, os decretos, leis e decisões de Morsi não podem ser questionados na Justiça. "O presidente pode tomar qualquer decisão ou medida para proteger a revolução", declarou seu porta-voz, Yaser Ali, que leu uma "declaração constitucional" na televisão.

Com isso, nenhum tribunal poderá destituir a assembleia que elabora a nova Constituição do país. A mesma proteção foi dada à câmara alta do Parlamento que, assim como a Assembleia Constituinte, é dominada pela Irmandade Muçulmana.

A Organização das Nações Unidas (ONU) criticou a emenda de Morsi, dizendo que ela provoca "gravíssimas preocupações relativas aos direitos humanos", de acordo com um porta-voz da alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay.

"Estamos preocupados com as possíveis enormes ramificações desta declaração sobre os direitos humanos e o Estado de direito no Egito", disse Rupert Colville, porta-voz de Pillay em Genebra. "Também tememos que isso leve a uma situação muito volátil nos próximos dias, começando, na verdade, por hoje (sexta-feira)."

Colville não especificou quais partes do decreto são mais preocupantes. Ele disse que o texto é muito longo, e que uma análise mais completa será divulgada pelo gabinete de Pillay no máximo até sábado.

'Faraó'

Figuras importantes da oposição, como o ex-chefe da Agência Internacional de Energia Atômica Mohamed El-Baradei, o líder do Patido da Dignidade, Hamdin Sabahi, e o ex-Secretário Geral da Liga Árabe Amr Moussa, acusaram o presidente de dar um "golpe" para transformar-se em um "novo Faraó" e, em uma entrevista coletiva, conclamaram a população do país a sair às ruas para protestar nesta sexta.

"Mursi usurpou todos os poderes do Estado e se nomeou novo faraó do Egito. Trata-se de um grande golpe na revolução, que pode ter consequências desastrosas", escreveu Baradei no Twitter.

"(Esses decretos) são um golpe contra o império da lei e a independência judicial", disse Ahmed Zend, presidente do Clube dos Juízes, a maior associação de magistrados egípcios.


Com AP e BBC

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