Turquia pede instalação de mísseis da Otan na fronteira com a Síria

Governo turco quer mísseis Patriot para se defender de bombardeios lançados do país vizinho

iG São Paulo |

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) afirmou nesta quarta-feira ter recebido um pedido formal da Turquia para que mísseis de defesa anti-aérea Patriot sejam instalados na fronteira com a Síria. Com a medida, o governo turco busca proteção contra bombardeios lançados do país vizinho, onde rebeldes enfrentam as forças do presidente Bashar Al-Assad desde março do ano passado.

"Recebi um pedido da Turquia para mobilizar mísseis Patriot", afirmou, no Twitter, o secretário-geral da Aliança, Anders Fogh Rasmussen. "Os aliados abordarão (essa questão) sem demora."

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AP
Soldado americano é visto perto de um míssil Patriot em base de Morag, na Polônia (26/05/2010)

Apenas os EUA, a Holanda e a Alemanha têm os apropriados mísseis Patriot disponíveis. Colocados em serviço há cerca de três décadas, essa linha de mísseis sofreu várias melhorias com o passar dos anos e tem alcance máximo de 160 km, podendo atingir até 24 mil metros de altitude.

Mísseis Patriot foram instalados pela Otan no território turco duas vezes, durantes a Guerra do Golfo (1990-1991) e a invasão americana ao Iraque (2003-2011). Eles nunca foram usados e foram retirados em poucos meses.

A Turquia está em negociação com os aliados da Otan sobre como reforçar a segurança em sua fronteira de 900 quilômetros com a Síria, após inúmeras bombas lançadas durante a guerra civil na Síria terem caído em território turco.

Situação em Damasco

Nesta terça-feira, rebeldes sírios dispararam pela primeira vez um morteiro contra o bairro das embaixadas de Damasco, criando pânico entre os moradores do centro da capital. O disparo contra Abou Roummané tem grande peso simbólico porque atinge um bairro que até agora vinha sendo poupado dos confrontos.

Segundo uma fonte oficial e o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), uma pessoa morreu e outras três ficaram feridas. O morteiro caiu em uma praça às 19h45 locais (15h45 de Brasília), afirmou um morador à AFP. O local, muito frequentado à noite, estava relativamente vazio no momento do ataque, de acordo com uma testemunha estrangeira presente em Damasco.

"Você não pode imaginar o medo que me invadiu quando ouvi o barulho da explosão. Ninguém acreditava que isto pudesse acontecer neste bairro", disse um morador.

Uma jornalista da AFP viu o impacto do morteiro perto de duas ambulâncias estacionadas no local, próximo ao sindicato dos médicos. As janelas de ambos os veículos ficaram estilhaçadas e a calçada foi danificada. "Após a explosão, um carro passou a toda velocidade com homens que atiravam indiscriminadamente, mas a rua estava vazia naquele momento", acrescentou o morador, que pediu para não ser identificado.

Uma pessoa que acompanhava a entrevista disse que "agora todos rezam antes de sair de casa, porque ninguém sabe se voltará", e afirmou sentir saudade da época da "segurança e da estabilidade" na Síria. "Há postos militares em todas as partes, mas isso não impede a queda de morteiros. Você tem a prova na sua frente!", acrescentou.

No dia seguinte ao disparo, o Exército instalou um novo posto de controle nos arredores da praça. Na terça-feira de manhã, dois morteiros atingiram o edifício do Ministério da Informação, no oeste de Damasco, sem deixar vítimas, segundo a agência oficial Sana.

Com AFP e AP

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