UE reconhece nova coalizão de oposição síria, mas não como governo em exílio

Chanceleres da União Europeia afirmam que coalizão anti-Assad é 'representante legítima' do povo sírio, mas não ofereceram o mesmo reconhecimento pleno concedido pela França

iG São Paulo |

Os chanceleres da União Europeia (UE) afirmaram nesta segunda-feira (19) que consideram a recém-formada coalizão contra o regime de Bashar al-Assad como a "representante legítima" do povo sírio, mas não chegaram a oferecer o mesmo reconhecimento pleno concedido pela França.

A UE há meses pede que a oposição ao presidente sírio se unifique. Na semana passada, a França se tornou a primeira potência europeia a reconhecer a Coalizão Nacional Síria como representante única do país. A França foi também o primeiro país a reconhecer oficialmente o governo de transição da Líbia como uma alternativa ao então líder Muamar Kadafi , também rompendo com seus parceiros europeus naquele momento.

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AP
O chanceler britânico, William Hague, diz que levará discussão ao Parlamento (Foto de Arquivo)


Outros governos ocidentais, entretanto, veem com receio a presença de radicais islâmicos entre os rebeldes que lutam para derrubar Assad e demonstram preocupação também com as denúncias feitas pela Organização das Nações Unidas (ONU) de que insurgentes teriam cometido crimes de guerra durante o conflito.

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Também nesta segunda, vários grupos islamitas armados, entre eles os dois mais importantes, Liwa al-Tawhid e a Frente Al-Nusra, que combatem em Aleppo, rejeitaram a nova formação e se pronunciaram em favor de um Estado islâmico, em um vídeo postado na internet.

"Nós, as facções que combatem na região da cidade de Aleppo e em sua província, anunciamos nossa rejeição ao complô que representa o que se chama a Coalizão Nacional e, de maneira unânime, concordamos em instaurar um Estado islâmico justo", afirma o vídeo, no qual um homem lê uma declaração.

A Frente Al-Nusra, um grupo islamita desconhecido até o início da rebelião Síria, já reivindicou uma série de atentados no país e seus combatentes estão presentes na maioria das frentes de batalha. O Liwa Tawhid, uma brigada inicialmente ligada à Irmandade Muçulmana, se radicalizou com o passar do tempo.

A nova coalizão opositora terá sua sede no Egito, segundo anunciou nesta segunda seu presidente, Ahmed Moaz al-Khatib, à agência oficial Mena, após conversas com o chanceler egípcio, Mohammed Kamel Amr.

Reunidos em Bruxelas, os 27 chanceleres da UE saudaram a nova formação da coalizão e pediram que ela trate de ser totalmente inclusiva e tenha entre suas prioridades os princípios dos direitos humanos e da democracia. "A UE os considera representantes legítimos das aspirações do povo sírio", disseram os ministros em nota. "Este acordo representa um passo importante rumo á necessária unidade da oposição síria."

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Mas o chanceler britânico, William Hague, disse que precisava saber mais sobre a nova oposição antes de oferecer um reconhecimento total. Ele afirmou, no entanto, que teve uma "boa reunião" com a nova oposição síria na sexta-feira em Londres e disse que vai discutir nesta semana com o Parlamento o grau de apoio a ser dado à coalizão.

"Fiquei impressionado com seus objetivos, com sua clareza, com a amplitude do seu apoio, com sua determinação para serem inclusivos na Síria com todas as comunidades e grupos", disse Hague a jornalistas em Bruxelas.

Os fatos recentes no Oriente Médio estão pondo em xeque a política externa da UE, que funcionou relativamente bem quando os Estados tiveram tempo de determinar posições comuns, ao intensificar sanções contra o Irã e a Síria ao longo do último ano, por exemplo.

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Mas o bloco tem demonstrado dificuldades para reagir com rapidez quando as circunstâncias exigem, caso da oposição alemã a uma intervenção militar em apoio à rebelião de 2011 na Líbia.

A nota ministerial desta segunda-feira adota termos semelhantes aos usados na semana passada pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para elogiar a formação de um bloco que agisse como "representante legítimo" do povo sírio. Obama tampouco reconheceu a Coalizão Nacional como um governo sírio no exílio.

O conflito na Síria já deixou 38 mil mortos, segundo estimativas, e a França defendeu uma suspensão parcial do embargo armamentista ao país para que a oposição tenha mais condições de enfrentar as forças de Assad. Outros países da UE, no entanto, temem qualquer ação que possa agravar a violência, e mantêm sua posição em favor de uma solução política.

Com Reuters

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