Ocidente elogia criação de novo órgão que reúne oposição síria

Coalizão Nacional anunciada no domingo será liderada por Moaz Al-Khatib, ex-imã que fugiu de Damasco este ano

iG São Paulo |

Países ocidentais, além do Catar e da Turquia, elogiaram a criação de uma coalizão que uniu diferentes grupos de oposição ao presidente da Síria, Bashar Al-Assad. A Coalizão Nacional para as Forças de Oposição e da Revolução Síria foi anunciada no domingo, durante uma reunião no Catar, e será liderada por Moaz Al-Khatib, um ex-imã que fugiu de Damasco este ano.

O Conselho Nacional Sírio (SNC), que até então era o principal grupo de oposição sírio, controlará 22 das 60 cadeiras do conselho de liderança da Coalizão Nacional.

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AP
Maath al-Khatib, presidente da Coalizão Nacional que reúne os grupos da oposição síria (11/11)

Em comunicado, o Departamento de Estado americano afirmou que "está ansioso" para apoiar o novo grupo a "buscar um caminho em direção ao fim do regime sangrento de Assad e ao começo do futuro pacífico, justo e democrático que os sírios merecem".

O chanceler britânico, William Hague, disse que a criação da Coalizão foi "um importante marco na formação de uma oposição ampla e representativa que reflita toda a diversidade do povo sírio".  

O ministro francês das Relações Exteriores, Laurent Fabius, afirmou que "trabalhará com seus parceiros para garantir o reconhecimento internacional desta nova entidade como representante das aspirações do povo sírio".

O governo do Catar disse que irá busca o "reconhecimento total" do novo órgão, enquanto a Turquia afirmou que a comunidade internacional "não tem mais desculpa" para deixar de apoiar a oposição. 

China e Rússia, que vetaram três resoluções do Conselho de Segurança da ONU contra a Síria, foram menos entusiasmados em suas declarações. O governo chinês disse apenas apoiar uma transição política "liderada pelo povo sírio o mais rápido possível". O governo russo disse que a Coalizão Nacional deve buscar "uma resolução pacífica do conflito sem interferência externa, por meio do diálogo e de negociações".

Líderes da oposição

A oposição síria conseguiu se unificar sob a liderança de Al-Khatib, um religioso moderado que terá o apoio na nova direção de dois vice-presidentes, Riad Seif, um ex-deputado, e Suhair Atassi, ativa militante da coordenação da revolta.

Nascido em 1960, Al-Khatib é um religioso moderado que foi por certo tempo imã da mesquita dos Omíadas de Damasco e não pertence a nenhum partido político. Sua independência e proximidade com Riad Seif, principal incentivador da ampliação e unificação da oposição, fizeram de Al Khatib um candidato de consenso para ocupar a liderança.

Este dignitário religioso do islã sufista, que estudou relações internacionais e diplomacia, não está ligado à Irmandade Muçulmana ou a qualquer força de oposição islâmica. Preso várias vezes em 2012 por ter expressado publicamente o desejo pela queda do regime de Damasco, foi proibido de falar nas mesquitas por ordem das autoridades sírias e precisou se refugiar no Catar.

Nativo de Damasco, foi fundamental na mobilização dos subúrbios da capital, especialmente Duma, muito ativa desde o início das manifestações pacíficas em março de 2011.

Riad Seif, de 66 anos, autodidata e próspero industrial, acreditou por muito tempo que podia mudar o regime sírio por dentro. Duas vezes eleito para o Parlamento como independente, em 1994 e 1998, foi preso em setembro de 2001 e condenado a cinco anos de prisão sob a acusação de querer "mudar a Constituição ilegalmente".

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Sua prisão, juntamente com a de nove outros opositores, marcou o fim da Primavera de Damasco, período de relativa liberdade após a ascensão ao poder de Bashar Al-Assad, depois da morte de seu pai, Hafez, em junho de 2000.

Faz parte dos 12 opositores que assinaram a "Declaração de Damasco", que apela para uma mudança democrática na Síria. Por seus ataques contra o regime e sua luta contra a corrupção, foi pressionado assim como seus colegas. Além disso, de acordo com Seif, foi arruinado por uma tributação injusta.

A partir de janeiro de 2008 cumpriu uma pena de dois anos e meio de prisão por exigir democracia para o seu país. Em maio de 2011, após o início da contestação, Seif foi preso por participar de uma manifestação proibida, sendo liberado uma semana mais tarde, por motivos de saúde.

Suheir Al-Atassi, 41 anos, é uma das fundadoras da rede de militantes da Comissão Geral da Revolução Síria (CGRS), que registra as ofensivas do Exército sírio e as vítimas da violência para alertar os meios de comunicação sobre o que está acontecendo na Síria.

Al-Atassi propõe que a voz dos militantes no terreno seja ouvida no exterior. Ela é de uma família de opositores sunistas de Homs, a "capital da revolução" no centro da Síria, e organizou um famoso centro de discussão em Damasco, onde todos os lados podiam discutir a democracia. Ameaçada de morte, passou sete meses na clandestinidade e viajou para a França no final de 2011.

Com BBC e AFP

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