Golfo reconhece oposição síria; conflito se aproxima de Israel e Turquia

Seis países do Golfo apoiam grupo criado domingo que reúne facções anti-Assad; Israel revida explosão de morteiros e Damasco ataque área na Turquia

iG São Paulo |

As seis nações do Conselho de Cooperação do Golfo reconheceram nesta segunda-feira o novo grupo de oposição síria como o representante legítimo da população do país árabe, o primeiro endosso formal ao grupo opositor que busca destituir o presidente Bashar al-Assad.

Pacto: Grupos de oposição da Síria firmam acordo para criar nova coalizão

AP
Fumaça sobe depois de explosões na vila síria de Bariqa, perto da fronteira de Israel e Síria e de Alonei Habashan, nas Colinas de Golã

Reação: Ocidente elogia criação de novo órgão que reúne oposição síria

Os grupos antigoverno sírio chegaram a um acordo no domingo depois de mais de uma semana de encontros no Catar. Eles estavam sob forte pressão internacional para formar uma nova liderança de oposição que inclua representantes das diferentes facções do país que combatem o regime de Assad. O acordo é apoiado pelos EUA e outros países do Ocidente .

O reconhecimento aconteceu enquanto o conflito sírio se aproximou mais nesta segunda-feira de Israel e Turquia, dois países que fazem fronteira com a Síria.

O Exército israelense disparou contra a Síria nesta segunda-feira pelo segundo dia consecutivo, depois que um morteiro sírio atingiu a região das Colinas de Golã, controlada por Israel. O míssil israelense de domingo foi um tiro de advertência . O disparo de um tanque nesta segunda foi um tiro certeiro , disse o Exército. Não houve nenhum comentário imediato sobre vítimas, mas foi a "mensagem" que Israel alertara que viria.

Os rebeldes sírios que lutam para derrubar Assad estão em confronto com o Exército há meses em cidades dentro e perto da área de separação entre Israel e Síria, ao longo da linha desmilitarizada estabelecida ao final de uma guerra entre os dois países em 1973. Tecnicamente, eles ainda estão em guerra, mas é uma guerra fria.

Durante quase 40 anos, o Golã foi um dos fronts mais tranquilos de Israel. Apesar da vista privilegiada que têm da guerra civil na Síria a partir de postos avançados nas Colinas de Golã, os generais israelenses não acreditam que as coisas esquentem no norte do país.

Além da ação na área perto de Israel, aviões de guerra sírios sobrevoaram a fronteira da Turquia e bombardearam a cidade controlada pelos rebeldes Ras al-Ain, a poucos metros dentro da fronteira turca. O Comitês de Coordenação Locais, um grupo de oposição da base síria, disse que os ataques aéreos deixaram 16 mortos. O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, pró-oposição, apontou 12 mortos, incluindo sete combatentes islâmicos.

Reuters
Moradores observam fumaça na cidade de Ras al-Ain, na fronteira com a Turquia, após ataque aéreo

Helicópteros também metralharam alvos perto de Ras al-Ain, que foi capturada pelos rebeldes na quinta-feira durante um avanço na área a nordeste da Síria composta por árabes e curdos. A ofensiva causou um dos maiores movimentos de refugiados desde o início do conflito sírio, há 20 meses.

Embora a Turquia esteja relutante em participar de um conflito regional, a proximidade dos ataques de segunda-feira marcam um novo teste em sua promessa de defender-se de qualquer violação de seu território ou qualquer desdobramento direto da violência na Síria.

Cerca de 9 mil sírios fugiram dos combates em Ras al-Ain para a Turquia em um período de 24 horas na semana passada, aumentando para mais de 120 mil o número de refugiados registrados em campos turcos. Há ainda dezenas de milhares não registrados que vivem em casas turcas.

*Com AP e Reuters

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