Aviação síria intensifica ataques na região de Damasco

Aviões bombardearam região a leste da capital do país, enquanto os rebeldes assumiram controle de campo de petróleo a leste. Oposição se mobiliza no exterior

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A aviação síria atacou neste domingo localidades da região de Damasco, enquanto a artilharia bombardeava bairros de Aleppo, norte do país, no mesmo dia em que começava, em Doha, uma reunião da principal coalizão opositora ao regime sírio.

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) informou que tropas do exército foram mobilizadas em Damasco e nas proximidades após os violentos combates registrados durante o amanhecer perto de um edifício dos serviços de inteligência ao noroeste da capital. Aviões bombardearam a área de Ghuta, ao leste de Damasco.

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Além disso, um atentado cometido por "terroristas" provocou feridos e danos neste domingo perto do hotel Dama Rose, no centro de Damasco, informou a televisão oficial síria. "Um atentado terrorista aconteceu atrás do hotel Dama Rose, perto de um estacionamento da União de Operários de Damasco, provocando feridos e danos materiais", afirmou a emissora estatal. A agência oficial SANA divulgou um balanço de sete civis feridos.

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Os rebeldes sírios anunciaram que assumiram o controle de um campo de petróleo na província de Deir Ezzor, leste da Síria."Os rebeldes tomaram o controle da jazida de Al Ward, ao leste da cidade de Mayadin, ao fim de um cerco de vários dias", destacou o OSDH. Quase 40 militares responsáveis pela segurança do local morreram, foram feridos ou capturados, segundo a ONG.Os combates duraram várias horas, afirmou Abdel Rahmane, diretor do OSDH. Os rebeldes também assumiram o controle de um tanque, de vários veículos blindados e de munições.

O OSDH também anunciou que os rebeldes sírios derrubaram neste domingo um avião de combate do exército no leste do país, na cidade de Mayadin, na região de Deir Ezzor. Na cidade de Al Bab, perto de Aleppo, os bombardeios destruíram várias casas. Em Aleppo, os ataques deixaram vários feridos, segundo o OSDH. Confrontos também foram registrados em Deraa, sul do país, onde um rebelde morreu, de acordo com o OSDH. Em Deraa (sul), dois rebeldes e seis soldados morreram em combates, segundo o OSDH.

No campo político, o Conselho Nacional Sírio (CNS), principal organismo da oposição síria no exterior, iniciou neste domingo em Doha uma reunião crucial de quatro dias para ampliar sua representação, questionada pelos Estados Unidos.

No total, 286 membros do CNS, considerado até agora a principal coalizão da oposição que busca a queda do regime de Bashar al-Assad, reformarão os estatutos do organismo para ampliar o Conselho a novos integrantes, antes da eleição de uma nova direção na quarta-feira (7). Como complemento do encontro, a Liga Árabe e o Qatar, país anfitrião, convidaram os participantes e outros grupos e personalidades da oposição síria para outra reunião "consultiva" na quinta-feira (8).

A criação de um governo no exílio dirigido por Riad Seif, ex-deputado que passou vários anos na prisão, deve ser debatida. Seif, no entanto, negou neste domingo que tenha a aspiração de presidir um governo no exílio e afirmou que trabalha para que a oposição tenha uma nova direção política."Esta nova iniciativa parece ser promovida a nível internacional e em particular pelos Estados Unidos", disse Burhan Ghaliun, ex-dirigente do CNS.

A reunião de quinta-feira acontecerá no momento em que o CNS, considerado há muito tempo um "interlocutor legítimo" da comunidade internacional, parece ter caído em desgraça com Washington. Na quarta-feira passada, a secretária de Estado americana Hillary Clinton criticou publicamente o CNS, ao afirmar que não poderia ser mais considerado o dirigente visível da oposição. Também defendeu uma nova oposição "mais ampla", incluindo os sírios do país. O CNS reagiu afirmando que Washington deseja modelar o Conselho a sua maneira para que negocie com o regime.

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