'Estava morto antes de começar', diz ativista sobre acordo sírio de cessar-fogo

Bombardeios teriam deixado 150 mortos no 1º dia de cessar fogo entre governo e rebeldes

iG São Paulo |

O Exército da Síria realizou fortes bombardeios contra diversas áreas do país, em meio ao começo de um cessar fogo firmado entre rebeldes e forças governistas por conta do início do festival religioso islâmico do Eid al-Adha. Bombardeios e disparos foram ouvidos na capital do país, Damasco, na cidade de Deir Ezzor, no leste do país, e em regiões controladas por ativistas antigovernistas na província de Aleppo, no norte da Síria.

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A trégua entrou em vigor na sexta-feira, mas foi logo rompida por combates e um por um atentado com um carro à bomba em Damasco. De acordo com ativistas, cerca de 150 pessoas foram mortas no primeiro dia do que seria o cessar fogo dos combates. ''Eu contei 15 explosões em apenas uma hora e já vimos dois civis serem mortos. Não consigo ver qualquer diferença entre antes e depois da trégua'', afirmou o ativista Mohammed Dourmay, em Douma, um subúrbio da capital, em uma entrevista à agência de notícias Reuters.

'Morto antes de começar'

O cessar fogo de quatro dias foi negociado pelo enviado especial da ONU Lakhdar Brahimi, que acreditava que o acordo poderia representar a semente de um processo de paz. Mas tanto rebeldes como o Exército disseram que só respeitariam uma trégua se a outra facção deixasse de realizar ataques.

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Um comandante do grupo rebelde Exército Livre da Síria disse, em Aleppo, uma área parcialmente controlada por forças antigovernistas, que o cessar fogo representou um fracasso para Brakhimi e que o acordo ''já estava morto antes mesmo de começar''.

A TV síria mostrou imagens de um atentado à bomba na capital Demasco, que deixou um forte rastro de destruição, tendo arrasado diversos edifícios em uma área residencial no sul de Damasco. De acordo com a emissora estatal, o atentado teria matado cinco pessoas e ferido outras cinco. O governo atribuiu o ataque a ''terroristas''.

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Ativistas afirmam que o ataque teria sido voltado contra civis islâmicos sunitas, já que a área é de maioria sunita. Os sunitas têm sido o principal grupo de resistência ao governo do presidente Bashar al-Assad. Assad e seus assessores mais próximos são muçulmanos xiitas. De acordo com grupo de direitos humanos, o conflito na Síria já matou mais de 35 mil pessoas. A ONU estima que a violência no país tenha matado ao menos 20 mil.

Festa do Sacrifício

O presidente Bashar Al-Assad apareceu na TV estatal participando as preces iniciais do Eid numa mesquita de Damasco. Agências humanitárias se prepararam para, aproveitando a eventual trégua, chegar a áreas inacessíveis por causa dos combates, segundo um funcionário da ONU em Genebra. 

O Acnur (agência da ONU para refugiados) disse ter preparado a distribuição de cestas de emergência a até 13 mil famílias em Homs e Hassaka (nordeste).

*com BBC Brasil e Reuters

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