Síria tem dia de combates e atentado a bomba apesar de cessar-fogo

Violações de ambos os lados mostram dificuldades de manter trégua durante festival islâmico do Eid al-Adha

iG São Paulo | - Atualizada às

A trégua declarada na Síria por ocasião de um feriado islâmico durou pouco de acordo com ativistas da oposição, segundo os quais houve combates nesta sexta-feira em um subúrbio de Damasco e ao redor de um quartel no norte do país. De acordo com a rede de televisão estatal, um carro-bomba também foi detonado na capital síria, deixando ao menos cinco mortos.

O Exército sírio havia prometido suspender os ataques na manhã de sexta-feira, atendendo ao pedido do mediador internacional Lakhdar Brahimi. Grupos rebeldes haviam manifestado a intenção de aderir ao cessar-fogo se os militares tomassem essa iniciativa, que deveria durar até segunda-feira, quando termina a festividade do Eid al-Adha.

Mas violações de ambos os lados mostraram que dificilmente haverá trégua no confronto que começou há 19 meses e, segundo algumas estimativas, já matou 32 mil pessoas.

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AP
O presidente da Síria, Bashar Al-Assad (centro), participa de oração no primeiro dia do Eid al-Adha



No pior ataque registrado desde o início da trégua que havia sido imposta há poucas horas, um carro-bomba explodiu em um bairro residendical no sul da capital Damasco e deixou ao menos cinco mortos, segundo informações da rede de televisão estatal. Pelo menos outras 30 pessoas ficaram feridas. Crianças e mulheres estariam entre as vítimas.

O governo sírio culpa grupos terroristas pelo atentado. Desde o início do conflito, o presidente Bashar Al-Assad insiste em chamar os rebeldes que lutam contra o exército nacional de "terroristas".

Franco-atiradores

Rebeldes em uma cidade do norte da Síria disseram que um franco-atirador matou um dos seus combatentes no começo da sexta-feira. Um repórter da Reuters no local ouviu quatro disparos de tanques.

"Não acreditamos que o cessar-fogo irá funcionar", disse o comandante rebelde Basel Eissa à Reuters. "Não há Eid para nós, rebeldes na linha de frente. O único Eid que podemos celebrar será a libertação."

O Observatório Sírio de Direitos Humanos, grupo oposicionista com sede no Reino Unido, disse ter recebido relatos de que os rebeldes estariam tentando invadir o quartel de Wadi al Daif, que fica a menos de um quilômetro da rodovia que liga as duas maiores cidades do país, Aleppo e Damasco. Em resposta, os soldados teriam feito disparos de artilharia contra uma aldeia próxima.

Em outro incidente citado pelo Observatório, o Exército teria lançado seis foguetes contra o sitiado bairro de Khalidiya, em Homs, deixando dois feridos e danificando casas.

Na cidade de Inkhil (sul), três pessoas ficaram feridas ao tentarem realizar um protesto após as preces especiais do Eid, segundo o Observatório, e várias manifestações na província de Deraa também teriam sido dispersadas.

Festa do Sacrifício

O presidente Bashar Al-Assad apareceu na TV estatal participando as preces iniciais do Eid numa mesquita de Damasco.

Agências humanitárias se prepararam para, aproveitando a eventual trégua, chegar a áreas inacessíveis por causa dos combates, segundo um funcionário da ONU em Genebra.

O Acnur (agência da ONU para refugiados) disse ter preparado a distribuição de cestas de emergência a até 13 mil famílias em Homs e Hassaka (nordeste).

Com Reuters

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