E-mails aumentam confusão sobre resposta americana a ataque na Líbia

Mensagens divulgadas pela Reuters mostram que governo dos EUA foi avisado de ataque em Consulado de Benghazi cerca de meia hora depois de ele ter começado

iG São Paulo |

Três e-mails enviados por autoridades do Departamento de Estado americano pouco depois do ataque do mês passado ao Consulado dos Estados Unidos em Benghazi, na Líbia, criaram novo debate sobre a resposta do governo de Barack Obama para o caso. As mensagens foram divulgadas pela agência Reuters na quarta-feira.

O primeiro e-mail, enviado cerca de meia hora após o início do ataque, reporta que a missão em Benghazi estava sendo atacada e que "20 homens armados estavam atirando". Outro, enviado 49 munutos depois, afirmou que os disparos "tinham acabado e o complexo estava liberado".

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AP
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Na mensagem seguinte, enviada uma hora e 13 minutos depois da segunda, a Embaixada americana em Trípoli reportou que um grupo militante local, Ansar al-Shariah, tinha assumido a responsabilidade pelo ataque em mensagens postadas no Facebook e no Twitter.

Nas primeiras horas após o episódio, agentes americanos interceptaram comunicações eletrônicas nas quais combatentes do Ansar al-Shariah se gabava do ataque para um militante ligado à Al-Qaeda do Magreb Islâmico. Publicamente, porém, o grupo negou qualquer envolvimento.

O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, afirmou que os e-mails não eram confidenciais e integram "todo tipo de informação que apareceu nos momentos seguintes ao ataque".

Os e-mails foram divulgados no momento em que o governo da Tunísia confirmou a prisão de um homem tunisiano suspeito de ligação com o ataque, que matou o embaixador Chris Stevens e outros três americanos, em 11 de setembro.

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Republicanos criticaram a Embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice, por dizer, cinco dias depois do ataque, que ele tinha sido resultado de uma manifestação contra um filme anti-Islã produzido nos EUA, mesmo depois de relatórios de inteligência e testemunhas terem indicado se tratar de um atentado terrorista. Rice disse ter baseado seus comentários em material da CIA.

Na quarta-feira, três senadores republicanos - John McCain, do Arizona, Lindsey Graham, da Carolina do Sul, Kelly Ayotte, de Nova Hampshire - criticaram Obama em uma carta, dizendo que os emails "apenas aumentam a confusão sobre o que o presidente e sua administração sabiam sobre os ataques em Benghazi, quando souberam, e porque reponderam da forma que responderam a este evento trágico."

Autoridades de inteligência disseram que a diferença entre os relatórios mostra o intenso fluxo de  informação que se segue a um acontecimento como esse. "Postar algo no Facebook não é uma evidência e acho que tudo isso mostra o quão fluida foi essa investigação naquele momento e algum tempo depois", dissea secretária de Estado americana, Hillary Clinton.

Com New York Times

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