Arábia Saudita pode ter polícia religiosa feminina

Autoridade defende contratação de mulheres para instituição responsável por garantir o respeito às leis islâmicas

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O chefe da polícia religiosa da Arábia Saudita, Abdul Latif Abdul Aziz al-Sheikh, defendeu a contratação de mais mulheres para os quadros da instituição e disse esperar que uma campanha de recrutamento seja realizada em breve. As declarações foram publicadas pelo jornal oficial saudita Saudi Gazette.

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A polícia religiosa é responsável por garantir o respeito às leis islâmicas, incluindo códigos de vestimenta e horários de oração. É ela quem impede as mulheres de dirigir, supervisiona o veto a certas formas de entretenimento público e garante que todas as empresas e pequenos comércios fechem suas portas cinco vezes ao dia para as orações.

AP
Foto de 29/4/2011 mostra saudita na tradicional dança Arda, ou dança da Guerra, durante o Festival de Janadriyah perto de Riad, Arábia Saudita

Para analistas, a introdução das mulheres em seus quadros pode ser um sinal de que o rei saudita, Abdallah, está avançando - ainda que de modo lento e cauteloso - em uma agenda reformista.

Práticas excessivas

No início deste mês, al-Sheikh anunciou que os poderes da polícia religiosa - conhecida como Comissão para a Promoção da Virtude e Prevenção do Vício, ou simplesmente "mutawa" - seriam reduzidos.

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O próprio al-Sheikh foi nomeado em janeiro deste ano para lidar com a crescente indignação pública sobre práticas dos policiais que integram essa força, vistas como excessivas e inapropriadas. Recentemente, um vídeo que mostra um policial obrigando uma jovem a sair de um shopping por causa de sua maquiagem tornou-se viral na internet.

Para analistas, a introdução de mulheres na polícia religiosa saudita não necessariamente tornará a aplicação das regras menos rigorosa. Mas pelo menos, acreditam eles, a medida ajudará a ampliar o papel da mulher na vida pública do país.

Apesar de a Arábia Saudita continuar a ser um país profundamente conservador, o rei Abdallah introduziu recentemente algumas reformas políticas e sociais limitadas. Em setembro de 2011, por exemplo, as mulheres finalmente ganharam o direito de votar e se candidatar às eleições municipais.

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