Presidente da Tunísia pede desculpas a mulher acusada de 'atos indecentes'

Moncef Marzouki disse que seu governo não irá tolerar discriminação contra mulheres que sofreram abusos sexuais

iG São Paulo |

Após forte pressão popular, o presidente da Tunísia, Moncef Marzouki, pediu desculpas formais para a mulher acusada de "atos indecentes" depois de ter sido estuprada por dois policiais em setembro. O líder tunisiano se encontrou nesta sexta-feira com a vítima dos abusos e membros de entidades que defendem os direitos civis das mulheres no país.

AP
Ativistas da Tunísia defendem mulher acusada de "atos indecentes" após ter sido estuprada

"É lamentável que episódios como esse aconteçam na Tunísia ou em qualquer lugar do mundo. É totalmente inaceitável e não vamos tolerar esse tipo de situação", disse Marzouki em um depoimento divulgado pela agência estatal TAP. O presidente da Tunísia também afirmou que o seu governo não vai compactuar com estupradores ou ações para encobrí-los.

O caso gerou revolta entre a população feminina do país . Segundo as autoridades, uma mulher de 27 anos e seu namorado foram parados em uma blitz policial, quando dois agentes retiraram a moça do carro e a levaram para uma das viaturas estacionadas na rua, onde cometeram o abuso sexual. Após a mulher prestar queixa, os dois policiais disseram que encontraram o casal em "posições imorais".

Semanas depois, um juíz de instrução de Túnis interrogou o casal acusado de praticar "atos indecentes", cuja pena pode chegar a seix meses de prisão. Os policiais continuam presos e podem receber a pena capital.

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A advogada que defende o casal, Ahlem Belhadj, disse que o caso "é uma vergonha para a Tunísia". "Em nossa cultura, até mesmo dentro de nossa constituição, há uma tendência de culpar a pessoa que foi estuprada". Ela também afirmou que a mulher envolvida no caso está em um estado "bastante frágil, mas determinada em lutar pelos seus direitos".

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